Em último discurso como presidente, Nilo diz que foi ‘massacrado’

No último discurso como presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) nesta quarta-feira (1º), o deputado estadual Marcelo Nilo (PSL) fez um balanço sobre a eleição na qual tentaria o sexto mandato como chefe da Casa, mas que não chegou a disputar.

Em sua fala, Nilo afirmou que foi “massacrado” no pleito. “Fui ofendido na honra pessoal, chamado de Pinóquio, de barrigudo, de infantil, que iria sair do sofá preto para ir para a planície”, frisou, ao desafiar os deputados e a imprensa a apresentar uma crítica aos oponentes Ângelo Coronel (PSD) e Luiz Augusto (PP). “Eu renuncio ao meu mandato de deputado”, provocou.

Ainda no discurso, o presidente da AL-BA, que desistiu da candidatura após a oposição sacramentar apoio a Coronel, fez questão de ressaltar que deu “vez e voz” aos oposicionistas no governo. “Procurei dar força à oposição, porque sei o papel da bancada da minoria no processo democrático. O quanto é importante”, disse, ao pontuar que passou 16 anos como oposicionista sem “nunca relatar, emendar e aprovar um projeto”.

Nilo afirmou que, até a véspera da eleição, na terça-feira (31), tinha o apoio de 10 deputados da oposição para a sua sexta candidatura, mas “jamais” iria revelar os nomes. O ex-chefe da AL-BA disse ainda que, por diversas vezes, questionou aos parlamentares se de fato iriam apoiar a sua candidatura. “Quantas vezes perguntei ao deputado, se não for votar em mim, avise. Ave-maria, se sentia ofendido. Teve deputado que bateu o telefone anteontem apenas porque perguntei se podia dar uma entrevista para confirmar que me apoiava”, falou, ao ressaltar que não se sentia “traído”.

Segundo o parlamentar, o principal motivo da sua desistência foi a declaração de apoio ao seu oponente de um aliado que havia garantido que apenas o sobrenatural o faria mudar de posição. “Eu enfrentei o senador [Otto Alencar], eu enfrentei o vice [João Leão], o prefeito {ACM Neto], um grupo na mídia conta mim, mas quando vi esse deputado que dizia que só Deus mudaria o voto dele… Lutar contra Deus eu não aguento. Então, desisti”, revelou, sem citar nomes.

Marcelo Nilo salientou que se recusou a participar de debates em rádios e TV na campanha para “preservar a Casa, para preservar o Parlamento”. “Não sou covarde, esse defeito eu não trago para a minha família, eu não respondi à altura em respeito ao Poder Legislativo baiano”, justificou.

O chefe da AL-BA disse ainda que deixava o cargo com “cabeça erguida” e fez uma declaração emocionada: “tenho três amores, a minha família, a Assembleia e o Vitória”. Desejou, ao encerrar o discurso, sucesso a Ângelo Coronel e disse que não guardava “mágoas”.

Fonte: bahia.ba

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje