Sem “notáveis”, novo ministério vem com caras conhecidas

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Como montar um ministério enxuto num sistema de presidencialismo de coalizão? É esse o desafio que o vice-presidente Michel Temer está encarando nos últimos dias para apresentar sua equipe nesta quinta, 12.

Ele abandonou, em pouco tempo, a utopia do chamado “ministério de notáveis”. Primeiro porque o número de “notáveis” dispostos a entrar na vida pública é mínimo, segundo pelo fato de “notável” geralmente não ser filiado a partido e é aí que está o problema.

O presidencialismo de coalização necessita de ampla maioria no Congresso para aprovar projetos de interesse do Palácio do Planalto e, eventualmente, mudar a Constituição para “reformas” que, dizem, destravariam o país, tornariam a máquina pública minimamente eficiente e fomentariam a economia. Foi essa falta de apoio que derrubou a presidente Dilma Rousseff.

Isso posto, Temer começou a montar sua equipe com base na realidade política e econômica. Ele e a ala peemedebista que fez oposição a Dilma viviam a alardear a necessidade de reduzir o número de ministérios. Dilma chegou a ter 39 pastas, cortou oito após as manifestações de rua de 2013.

Temer disse que teria apenas 23. Depois das demandas dos partidos que ajudaram a derrubar Dilma, especulou que só poderia acomodar todos com 27 ministérios, o que provocou uma grande reação negativa e o fez fixar o número em 22.

Para montar a equipe, primeiro destinou ministérios a seus principais colaboradores, quatro ex-ministros de governos petistas: Eliseu Padilha, (cotado para a pasta da Casa Civil), Moreira Franco (Infraestrutura), o senador Romero Jucá (Planejamento) e o baiano Geddel Veira Lima (Ministro-chefe da Secretaria de Governo). Geddel, único ministro baiano confirmado até o momento. Já Moreira Franco (PMDB-RJ) pode ser um assessor especial de Temer.

Fazenda

Além desses, convidou outro ex-ministro da era PT, Henrique Meireles (ex-presidente do Banco Central) para a pasta da Fazenda e tenta montar o núcleo dessa área, considerada a mais importante do governo por formular as políticas fiscais da gestão cuja prioridade é cortar gastos e aumentar a arrecadação.

A Fazenda ficará com a Previdência, sinalização de que o novo governo quer pelo menos tentar promover uma reforma na área através de Henrique Meirelles. O nome convidado para o Banco Central é Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú.

Sustentação

Superada a montagem do grupo da “casa”, Temer está loteando o resto do ministério com os grupamentos partidários que lhe darão sustentação no Congresso. Assim, o PP deve ficar com os ministérios da Agricultura (o nome mais cotado é senador Blairo Maggi que é do PR, mas foi convidado a migrar para o PP e assumir a pasta). Saúde também foi entregue ao PP que indicou o deputado Ricardo Barros (PR).

Gilberto Kassab, presidente do PSD, outro ex-ministro de Dilma, deve ficar com Ciência e Tecnologia. O DEM abiscoitou a pasta da Educação, que incorporou a Cultura. O titular será o líder do partido, deputado Mendonça Filho (PE).

O PSDB ganhou três ministérios, Relações Exteriores com o senador José Serra (SP), Cidades com Bruno Araújo (PE) e Alexandre de Moraes (SP). O PV ficou com o Meio Ambiente comandado por Sarney Filho (MA).

Impasses

O PPS deve ocupar o Ministério da Defesa e já indicou Raul Jungmann (PE). Ao PTB foi entregue a pasta do Trabalho.

A equipe de Temer tenta resolver o impasse com o PRB que assumiria o Ministério da Ciência e Tecnologia, mas diante da repercussão negativa de destinar uma pasta desse perfil a um partido que pertence a uma Igreja Evangélica, o convite foi cancelado.

O problema é que o PRB resiste em voltar a assumir o Ministério dos Esportes. A princípio a pasta ficará com Leonardo Picciani (PMDB). O Solidariedade, partido antipetista, se conformou com a secretaria do Desenvolvimento Agrário que está no Ministério Social. Enfim, o Ministério que seria de “notáveis” se transformou em “político” e é com ele que Temer vai tentar superar a crise econômica.

Outros nomes cotados:

Henrique Alves (PMDB);

Tasso Jereissati (PSDB);

Fernando Coelho (PSB);

Raul Jungmann (PPS);

Márcio Elias Rosa (Procurador de SP – CGU);

Trabalho – sem nome / cota do PTB;

Esporte – sem nome / cota do PRB ou PMDB;

Minas e Energia – sem nome / cota do PMDB;

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje