Governo e setor privado se unem para retomar carros de inadimplentes

Entidades e companhias privadas estão fechando parcerias com órgãos públicos para facilitar a retomada de veículos de clientes inadimplentes com os bancos.

As duas principais iniciativas são a criação de pátios privados de apreensão de veículos e o uso de câmeras de monitoramento de trânsito para encontrar motoristas com dívidas não pagas no financiamento do seu veículo.

Está em discussão ainda, junto ao governo, mudanças na legislação para tornar o processo de recuperação desses bens mais barato e ágil.

Pelas regras em vigor, podem ser retomados veículos cujas prestações estão atrasadas há mais de 90 dias. Essa parcela representa atualmente 5% dos financiamentos, em um total de R$ 9,5 bilhões, segundo o BC.

A parcela efetivamente retomada, no entanto, é baixa -cerca de 20% dos carros com pagamentos em atraso. Segundo os bancos, isso limita a redução dos juros e o aumento dos financiamentos.

De acordo com a Cetip, empresa que centraliza o registro das garantias dadas nos financiamentos automotivos, o processo de retomada de veículos é demorado e caro.

O banco precisa achar o devedor, apreender os veículos, quitar os débitos com o poder público e pagar pelo leilão. Na maioria dos casos, os gastos e dívidas superam o valor do veículo, o que leva o banco a desistir do processo.

O vice-presidente da Unidade de Financiamentos da Cetip, Roberto Dagnoni, diz que a criação de pátios privados de apreensão de veículos é uma das medidas que pode ajudar a reduzir esses custos.

“Nesses locais, todos os procedimentos, do pagamento das dívidas com os governos estaduais e municipais até o leilão, são feitos no mesmo lugar”, afirma. “Hoje, tudo isso é feito em locais diferentes, o que dificulta e encarece o processo.”

A iniciativa está em teste no Rio de Janeiro e em Minas.

Outro projeto é o uso de sistemas que fazem leitura de placas de veículos, da polícia e de Detrans, para localizar clientes inadimplentes.

O setor privado fornece softwares e informações de bancos de dados do sistema financeiro e das seguradoras. A inadimplência no financiamento de veículos bateu recorde em junho de 2012 (7,2%). Desde então, recuou, mas ainda está acima dos patamares de dois anos atrás.

O percentual ainda alto é um dos motivos pelos quais as instituições financeiras resistem a aumentar os financiamentos nesse momento.

O governo estuda mais medidas para ajudar o setor automotivo, que ameaça demitir. Entre elas, manter a redução do IPI para automóveis e mudar a lei sobre retomada de veículos. Uma ideia é instituir a recuperação de garantia fiduciária (como nos imóveis), de forma extrajudicial.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje