Chama Olímpica se despede da Bahia

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Num dia essencialmente pernambucano, a Tocha Olímpica voltou para se despedir da Bahia relembrando um dos momentos mais marcantes de sua passagem pelo estado: descendo de rapel. Depois do Elevador Lacerda, em Salvador, o cenário escolhido para a descida foi a ponte na entrada de Paulo Afonso, última parada da chama antes de seguir para Aracaju, em Sergipe. No início do dia, o revezamento aconteceu em Lagoa Grande, Santa Maria, Orocó e Cabrobró, todas cidades pequenas de Pernambuco.

Paulo Afonso ganhou uma passagem para Londres-2012 nenhuma botar defeito. Num momento que lembrou a chegada da chama à capital britânica, na edição passada, a Tocha desceu de paraquedas nas mãos do paraquedista Sabiá, que, em seguida, fez rapel até o rio São Francisco.

A moradora Angela Soares da Silva, de 38 anos, teve que se espremer entre o cordão de isolamento da polícia e a escada por onde a Tocha subiria do Velho Chico para conseguir ver o revezamento. Mas disse que valeu a pena: “Foi uma emoção muito grande ver isso. Tem que ver de pertinho mesmo, é muita alegria, uma honra ver essa Tocha passar pela minha cidade”.

O primeiro dos 52 condutores do percurso de 10 km foi José Miguel – o Zé Miguel -, vendedor de bebidas. O topógrafo Cícero Antônio, de 41 anos, acompanhava o revezamento com o filho Lucas, de seis, e disse que Zé Miguel foi uma boa escolha para representar a cidade no revezamento. “Ele vende caipifrutas nas micaretas daqui e representa Paulo Afonso em todos eventos em outras cidades da Bahia. Ele foi indicado no município, e é bem conhecido por todo mundo que mora aqui na cidade”, explicou.

Orocó rouba a cena

O ponto alto do dia foi no município de Orocó, que tem apenas 14 mil habitantes e é conhecida pela violência e envolvimento com tráfico de drogas. Apesar do histórico ruim, foi uma das cidades mais animadas com o revezamento: muitas crianças tomaram as três ruas por onde a Tocha passou num passeio ‘relâmpago’ de apenas meia hora.

O destaque ficou por conta de Josias dos Santos, gari do município. Ele, que foi o responsável a levar a chama ao palco, foi também o único condutor da própria Orocó. “É um prazer representar Orocó, muita emoção. Acho que o condutor ser da cidade é melhor, é importante porque as pessoas já conhecem. Os colegas, amigos, os vizinhos acompanham e apoiam a gente. Conheço todo mundo daqui, chamo todo mundo pelo nome, e todo mundo me chama também. Tanto é que gritaram ‘ô Josias, Josias!’ quando eu estava passando”, relatou emocionado.

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje