Mostra na Caixa Cultural resgata animações brasileiras

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Há um cuidadoso trabalho de curadoria e resgate incutido na Mostra Retrospectiva de Cinema de Animação Brasileiro, que começa nesta terça-feira, 15, e vai até domingo, 21, na Caixa Cultural Salvador. O programa inclui a exibição de 51 filmes produzidos no país entre 1929 até os dias atuais, a realização de uma oficina ministrada pelos animadores Maurício Squarisi e Elisabeth Russo e a homenagem a Chico Liberato, pioneiro do segmento na Bahia.

Diretor dos longas Boi Aruá (1983, 60min) e Ritos de Passagem (2012, 98 min), Chico Liberato terá mais 10 filmes exibidos. A produção foi responsável pela recuperação e digitalização de cinco filmes que constam na programação.

Três deles são de Chico: Natal em Maragojipinho (1987, 3 min) e Festa da Mocidade (1987, 10 min), ambos tendo Maurício Squarisi e Wilson Lazaretti como coautores, e Pedido-pax (1987, 8 min). Em Muçagambira (1982, 17 min), dirigido por sua mulher, Alba Liberato, ele atua como produtor. Também Emprise (1973, 6 min), de José Rubens Siqueira, consta da relação.

Curadora da mostra, a pesquisadora e cineasta Isabel Veiga diz que quis estabelecer um recorte. Foi critério o fato de ter alguns marcos da cinematografia nacional. Ela cita trabalhos pioneiros da animação brasileira, como Macaco Feio, Macaco Bonito (1929, 4 min),  de Luis Seel, outras raridades como Sinfonia Amazônica (1953, 61min), de Anélio Latini Filho,  até chegar aos recentes, e premiados no Festival de Annecy, Uma História de Amor e Fúria (2013, 75min), de Luiz Bolognesi, e O Menino e o Mundo (2013, 85 min), de Alê Abreu, que concorreu ao Oscar de Animação.

Isabel cita Seel, que tem ainda em exibição Frivolitá (1930, 3 min), como a ponta deste arco histórico traçado. Os filmes percorrem os anos 30, 50, 70, 80 do século passado até agora. São filmes premiados, que tiveram uma carreira de importância, afirma Isabel, ao rever o processo de escolha. Também tem os que “usam determinadas técnicas de uma maneira inovadora”. E mais: “Filmes que a gente gosta e que a gente acha que o público se interessaria”.

Preservação

Um dos destaques é o citado Sinfonia Amazônica, primeiro longa brasileiro de animação. “Não tem mais em película, foi feita uma cópia a partir de uma fita u-matic. Muita coisa se perdeu na história por falta de preservação. Então a gente  toca nesse aspecto também, na importância de preservar os filmes e a sua história, por consequência”, diz: “Temos como fazer muitas mostras com essa perspectiva, de filmes recuperados que ficaram de fora”.

Há também alguns títulos preocupados em refletir sobre a criação na arte de animação. Animando (1983, 12 min), de Marcos Magalhães; A Pequena Ilusão (2007, 8 min), de Lavínia Chianella e Tomás Creus, e Luz, Anima, Ação (2013, 99 min), de Eduardo Calvet são alguns exemplos.

Isabel  destaca este último, que resgata a história da animação brasileira a partir de sua nascente, com Álvaro Marins, conhecido como Seth, diretor de O Kaiser (1917), até Carlos Saldanha com obras como Rio (2011).

“É um filme bem interessante, muito complementar e importante, para a gente  ter um olhar mais apurado sobre tudo o que se fez e como foi feito”, fala Isabel. Para ela, vivemos um momento ascendente: “O Anima Mundi é um festival  muito importante para difundir. A gente vive em diálogo com a televisão, que tem feito crescer muito a animação brasileira”.

Para ela, o segmento é muito forte no sentido de alcance público. Tem também que alcançar políticas públicas e espaços de difusão. É bom lembrar que a mostra é fruto da seleção feita para o Programa de Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural.

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje