A Intransigência na política – Ricardo Guedes

A intransigência na política gera custos eleitorais.

Nas teorias da administração, há duas vertentes que se complementam: a da racionalidade dos métodos para a obtenção dos fins, e a da consensualização dos objetivos para o estabelecimento dos meios. Em ambas, está implícita a noção do consenso e da legitimidade de meios e fins, sem os quais não se alcançam os objetivos almejados.

Georg Simmel, pai da psicologia social alemã, contemporâneo de Freud, descreve o líder como a representação dos interesses e das emoções, citando que “às vezes um líder torna-se escravo de seus próprios liderados”, e que “os liderados querem ser liderados para que possam abrir mão da responsabilidade da ação social”.

Gramsci em “O Príncipe Moderno” diz que um partido é composto de três elementos, de sua liderança, do grupo social que representa, e do vínculo de representação entre a liderança e os liderados.

Quando a representatividade se quebra, quebra-se também o voto.

No Brasil, há falta de diálogo entre o Planalto e o Congresso, entre o Planalto e seus pares, entre o Planalto e a população.

A reforma política, necessária e conveniente, corre o risco do insucesso devido a sua forma de encaminhamento, e falta conteúdo consensualizado, além de estar desfocada das demandas das ruas e da solução da inflação que corrompe o poder de compra dos brasileiros. E não nos esqueçamos também da reforma tributária, da reforma trabalhista, e de outras reformas, além da necessária melhoria da gestão pública.

Pacto não se comunica. Não se propõe um pacto sem pactuar antes com os pactuados. Ou nas palavras lúcidas e figurativas do ex-Presidente Tancredo Neves, exímio negociador de interesses antagônicos, “reunião somente após tudo consensualizado entre as diversas partes”.

Nos grupos de discussão, o conceito de “arrogância” muito utilizado pelos participantes dos grupos na definição de políticos, pode ser interpretado como a distância que um político toma em relação a suas bases, na falta de acesso que os eleitores têm em relação ao político, na crença que pela falta de acesso o político não irá “cumprir as suas promessas”, e em isto ocorrendo se dá a quebra do voto entre o eleitor e o eleito.

A falta de diálogo entre o Planalto e o Congresso, a Base Aliada, e mesmo com parte significativa do PT, gera o pragmatismo da política da troca de votos por benécias, gerando dissidências latentes que podem se voltar contra o Planalto, com repercussões no voto do eleitor.

Com os baixos índices de popularidade, projetos desfocados das demandas das ruas, e falta de interlocução no Congresso e com as bases, Dilma Rousseff corre o risco de perder as Eleições Presidenciais de 2014.

Ricardo Guedes, Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, é Diretor-Presidente do Instituto de Pesquisa Sensus.

Fonte: Blog do Noblat

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje