Youssef ‘investia’ em Argolo para o futuro
No longo arrazoado de 66 páginas em que nove procuradores da República formulam a denúncia contra o ex-deputado Luiz Argôlo pelo envolvimento na Operação Lava Jato está dito que Alberto Youssef continuou pagando, à parte do esquemão, ‘vantagens indevidas’ ao então deputado mesmo quando ele trocou o PP pelo SDD.
Youssef apostava, diz o texto, ‘na carreira de Argôlo, que via como promissora para a continuidade dos seus negócios’.
E dizia: ‘Um dia vou cobrar a conta’.
Valor da fatura — As transações envolvendo os dois incluem compra de móveis, cadeiras de rodas, bois e até um helicóptero, no valor total de R$ 1.685.592,42.
O MPF quer a devolução de tudo, principalmente do helicóptero.
Argolo é acusado de corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
Mensagens — Argôlo visitou os escritórios de Youssef entre 2011 e 2014 nada menos que 78 vezes. Os dois trocaram 1.411 mensagens, sendo 760 de Argôlo para Youssef e 651 na recíproca.
Hotel Enseadas — Um dos favores que Argôlo fazia a Youssef era arranjar financiamento no BNB para o hotel Príncipe das Enseadas, em Porto Seguro, hoje abandonado após ter tido portas, janelas e telhado surrupiados, sabe-se lá por quem.
A transação não se consumou. Quando estava em andamento o escândalo estourou.
Caso Élia — Élia Santos da Hora, secretária de Argôlo, que chegou a ser presa pela PF, não foi indiciada. Ela admitiu que o deputado usava as contas dela (para as transações com Youssef) com frequência.
Fonte: Coluna Tempo Presente/ Jornal A Tarde