Waldir Pires e seu amor pela cidade de Amargosa – Maurílio Lopes Fontes
Em 21 de junho de 1991, na tribuna da Câmara dos Deputados, o deputado Waldir Pires fez uma pausa nos debates nacionais para falar de Amargosa. A cidade comemorava o primeiro centenário de sua existência e o deputado quis deixar registrado o que chamou de “um registro sentimental”: a lembrança da terra onde passou a infância e começou a formar sua consciência pública.

Nascido em Acajutiba, Francisco Waldir Pires de Souza chegou a Amargosa ainda muito pequeno, com menos de três anos, quando a família foi morar na cidade.
Ali aprendeu as primeiras letras, concluiu o curso primário e construiu lembranças que continuariam presentes em sua vida.
Sua fala na Câmara relembrou a cidade que conheceu: os armazéns que compravam e beneficiavam café e fumo, o movimento da feira semanal, os pequenos e médios produtores rurais e o comércio que conectava a região a outros centros do país.
Lembrou também as ruas largas e a Praça do Jardim, projetada durante a administração do prefeito Lourival Monte.
Na descrição de Waldir, Amargosa havia deixado para trás a condição de antigo arraial e se afirmado como importante entreposto comercial, uma “cidade-princesa do sudoeste baiano”.
No centro de sua memória estava a escola de Tia Vivinha. Waldir não a recordou apenas como o lugar onde aprendeu a ler e a escrever.
Atribuiu àquela experiência uma formação para a vida pública, o civismo e a fraternidade.
As festas de 2 de Julho e de 7 de Setembro, as datas regionais e os acontecimentos locais também faziam parte dessa educação, vivida com a participação da comunidade.
A lembrança do velho jequitibá, presença marcante da paisagem amargosense, dava à fala um sentido especial.
A árvore aparecia como referência para a caminhada pela vida, assim como a cidade e seu povo haviam sido referências para suas convicções.
Foi de Amargosa, afirmou, que vieram valores que alimentaram sua resistência à opressão e às injustiças sociais e sua disposição de contribuir para um país mais justo e democrático.
A homenagem, portanto, não estava circunscrita à saudade. Waldir ligava a formação recebida na infância à atuação política que continuava a exercer.
Da tribuna, reafirmou que não abandonaria a luta em defesa dos desprotegidos e contra as desigualdades.
Queria que a Bahia e o Brasil garantissem aos jovens o direito de acreditar no próprio futuro e no futuro da Nação.
O discurso, publicado no Diário do Congresso Nacional de 22 de junho de 1991 (ver abaixo), mostra o amor de Waldir Pires por Amargosa.
A cidade foi o lugar de sua infância e de parte decisiva de sua formação.
Ao homenageá-la em seu centenário, ele reconhecia o que dela havia levado consigo: uma maneira de compreender a vida pública como compromisso com a dignidade, a justiça social e a democracia.


Maurílio Lopes Fontes é licenciado em História, bacharel em Marketing, mestre em Marketing, Comunicação e Consultoria Política (Espanha), diplomado em Gestão de Governo e Liderança Política (George Washington University), especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública (UCSAL), especialista em Estratégia e Liderança Política (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), especialista em Assessoria Política e Governo (UCSAL)

