Rosemary foi indiciada por três crimes

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que soube com antecedência da operação Porto Seguro da Polícia Federal, deflagrada no dia 22 de novembro. Em audiência na Câmara dos Deputados, ontem 4, Cardozo disse ter sido informado de maneira genérica, no dia anterior, de que haveria uma operação envolvendo um órgão do governo.

Cardozo diz que só soube de mais detalhes momentos antes da operação. “Eu fui informado na hora que deveria ser”, disse o ministro. “Ainda na quinta-feira (22), informei a presidente Dilma Rousseff que haveria uma operação da PF no dia seguinte envolvendo órgão do governo, mas sem detalhes, porque eu não os tinha naquele momento.”

Entre os locais onde ocorreram buscas e apreensões, estava o escritório da Presidência da República em São Paulo, chefiado por Rosemary de Noronha. Ex-chefe de Gabinete da Presidência em São Paulo (demitida após a operação), Rosemary se valia de sua proximidade com o ex-presidente Lula para conseguir cargos para aliados a parentes. Os mandados também foram cumpridos em Cruzeiro e Dracena, dois municípios do Estado de São Paulo. A operação investiga uma organização criminosa que funcionava infiltrada em órgãos federais para favorecer interesses privados na tramitação de processos. Ao todo, 18 pessoas foram indiciadas.

Cardozo negou interferências políticas na operação. “Sempre que pessoas do mundo político ou econômico são investigadas há muita tensão, controvérsia e confusões. Mas afirmo aqui que nenhuma dessas operações é fruto de instrumentalização do ministro da Justiça e nem de descontrole da Polícia Federal”, disse.

Crimes

De acordo com Cardozo, Rosemary Noronha foi indiciada por três crimes no inquérito que está sendo conduzido pela Polícia Federal: falsidade ideológica, tráfico de influência e corrupção ativa. Cardozo acrescentou que ela não foi indiciada por formação de quadrilha porque, segundo critérios técnicos da PF, não estaria ligada à cúpula do grupo criminoso investigado pela Operação Porto Seguro. “Claro que isso não a abona em absolutamente nada”, enfatizou o ministro.

Ele acrescentou que, também por critérios técnicos, ela não foi alvo de escutas telefônicas. “[Essas escutas] não existem para apurar a v

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiçaida das pessoas, mas para cumprir objetivos claros e para pegar situações em curso”, disse o ministro. Como, segundo ele, não houve decisões judiciais nesse sentido, também não há diálogos gravados entre ela e terceiros. “Sempre recebi reclamações por excesso de grampos. Agora é por falta de grampos”, ironizou Cardozo.

Fonte: Carta Capital

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje