Rodoviários mantêm greve e cidade continua sem transporte coletivo

A cidade acorda sem o transporte coletivo, utilizado por grande parte da população, no segundo dia da greve comandada pelos membros do Sindicato dos Rodoviários de Salvador (isso mesmo, porque a entidade sindical de Alagoinhas obedece quase que cegamente aquilo que determina os rodoviários da capital).

Inflexíveis, sem se preocupar com os transtornos da população, os representantes do Sindicato dos Rodoviários de Salvador e do Sindicato dos Rodoviários de Alagoinhas não colocaram, ontem, 30% da frota nas ruas para atender minimamente aos usuários do sistema, como determina a lei de greve.

Os oito representantes do Sindicato dos Rodoviários de Salvador que estão em Alagoinhas formam um verdadeiro balaio de gatos e são filiados à CUT, que é ligada ao PT; CTB, vinculada ao PCdoB; outra corrente, Rodando na Base, tem membros próximos de partidos de direita; há, ainda, representantes da Força Sindical, cujo presidente nacional, deputado federal Paulinho da Força, finaliza a criação do partido político Solidariedade.

A greve dos rodoviários de Alagoinhas, que causa uma série de transtornos à população, para os sindicalistas é mero detalhe, porque o que importa é a disputa particular das várias correntes que formam a entidade sindical.

Todas elas querem ficar bem com a categoria e dão pouca importância às demandas da comunidade alagoinhense.

A principal reivindicação dos trabalhadores é o aumento salarial de 15%, bem acima da inflação do período.

Notificação

A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) notificou ontem o sindicato das empresas requerendo que 30% da frota esteja na rua nesta quinta-feira, mas a ação não terá efeito prático, porque esta prerrogativa cabe apenas à Justiça do Trabalho.

A mediação legal entre empresários e trabalhadores é atribuição, com as respectivas penalizações, quando for o caso, exclusiva da Justiça do Trabalho.

Com esta atitude, a SMTT e o governo municipal jogam para plateia visando auferir alguma vantagem de uma situação caótica.

Câmara

Os dois sindicatos planejam lotar a galeria da Câmara de Vereadores na tarde de hoje com objetivo de pressionar o presidente do legislativo, Jorge Mendes, no sentido de garantir a inclusão na pauta das próximas sessões do projeto de lei complementar 006/13, que trata da modificação da gratuidade no transporte coletivo, permitindo que apenas pessoas acima de 65 anos tenham este direito garantido.

A sessão de hoje promete ser bastante tensa.

Os sindicatos dos rodoviários defendem a modificação e estranhamente estão ao lado dos patrões nesta questão.

Por seu turno, os donos de ônibus utilizam estrategicamente o movimento para auferir a vantagem possível neste momento: elevar a gratuidade para pessoas que tenham  acima de 65 anos.

Agem também para acabar com a gratuidade de carteiros, agentes de endemias e agentes comunitários de saúde, que embora atuem nos bairros onde moram, podem fazer uso do transporte coletivo em trajetos curtos.

Os donos dos coletivos trabalham para dar fim à gratuidade, mas certamente não demorarão muito, após venceram as batalhas atuais, para voltar à pauta principal, agora secundarizada: o aumento da tarifa.

A despeito da inflexibilidade dos rodoviários, os interesses da categoria e dos patrões convergem neste momento.

Não é difícil saber quem terá prejuízo com o conluio entre rodoviários e donos de ônibus, que conta com apoio de alguns vereadores: a população, que é quem sempre paga a conta.

 

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje