“Projeto Binário” deve ser prioridade para a administração municipal? – Opinião – Maurílio Fontes

Desde Outubro passado, quando o prefeito Paulo Cezar alcançou a reeleição, diversas obras estão paralisadas e os maiores exemplos são as do Loteamento Santa Terezinha e Mãe Cirila, orçadas em mais de R$ 10 milhões.

Sem a continuidade e com a chegada do inverno, os investimentos se perderão e as obras terão que ser praticamente recomeçadas. Se isso acontecer, ficará evidente que a maquiagem da cidade obedeceu única e exclusivamente ao desejo do prefeito renovar seu mandato.

Com graves problemas em termos de infraestrutura, relegados a segundo plano pelo governo, a cidade se depara com um projeto megalomaníaco gestado na prancheta da secretária Sonia Fontes, cujas justificativas convenceram na audiência pública (ou ações teatralizadas?) de ontem à noite, no auditório do Hotel Áster, apenas os apaniguados do grupo que hoje domina o Executivo.

A secretária de Infraestrutura, a exemplo do que ocorreu na Câmara de Vereadores no evento que seria a audiência pública sobre a privatização da rodoviária, tem predileção para fazer uso quase que exclusivo da palavra e transforma um evento público em monólogo.

Em conversa com o editor do Alagoinhas Hoje na manhã desta quarta-feira, uma pessoa que esteve na teatralização da noite passada percebeu algumas qualidades da secretária, que supostamente nada teriam com seu ofício: grande capacidade para tangenciar questões de conteúdo dos projetos que ela defende como fundamentais para o futuro do município e uma veia artística sem igual.

Governos existem para defender interesses coletivos e não para impor goela abaixo aquilo que é de interesse daqueles que pensam ser proprietários da prefeitura, que não tem donos, porque os legítimos senhores da coisa pública são os homens e mulheres que aqui nasceram ou escolheram  esta terra para viver, trabalhar e constituir famílias em função dos laços que construíram com Alagoinhas.

Ao invés de gastar tempo, energia e recursos (aluguel do auditório do Hotel Áster, por exemplo), o governo deveria retomar as obras paralisadas para não jogar fora recursos públicos já assegurados e esquecer pelo menos por agora este “Projeto Binário” (transformação da Rua Elvira Dórea e de parte das ruas Lauro de Freitas e Dantas Bião em sentido único, com uma série de implicações ambientais e logísticas), assim batizado pela indefectível secretária de Infraestrutura.

Não há nenhuma urgência na implantação deste projeto. A não ser na cabeça da secretária Sonia Fontes, uma estrangeira que quer se colocar na posição de dona dos destinos de Alagoinhas.

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje