Pesquisa revela o que a população acha dos governos de Wagner e ACM Neto

Uma pesquisa do Instituto Planter – Observatório do Comportamento & Tendências revela como a população de Salvador vê os serviços públicos prestados pelo governo e prefeitura na cidade. Saúde, educação, segurança e conservação da cidade são os mais mal avaliados. Já a iluminação e a limpeza urbana são os serviços melhor avalizados na capital baiana. Completado quase um ano do governo ACM Neto, os soteropolitanos mostram o grau de satisfação sobre setores sensíveis, como a saúde municipal, avaliada negativamente por 78,8% da população. A segurança vem com 70,6% de avaliação negativa, seguida pelo ensino municipal, com 54,8%.

Segundo dados da amostragem contratada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública da Bahia (Sindlimp), realizada em Salvador entre os últimos dias 2 e 4 de dezembro, apenas a iluminação pública e limpeza foram melhor avaliadas. Ao todo, 36,4% considera a coleta de lixo regular, com 35,4% de avaliação negativa e 27,7% positiva. Os serviços básicos de varrição de rua foram aprovados por 24,5% da população, sendo que um total de 25% classifica como ruim e 47,8% como regular.

Segundo a socióloga  e coordenadora da pesquisa Maria Helena Rocha, esse cenário mostra que as demandas da sociedade ainda não foram atendidas pela administração atual, “já que há uma expectativa muito grande sobre a atuação da nova gestão municipal nestas áreas primárias da cidade. Trata-se de um descontentamento manifesto e com críticas ao funcionamento dos serviços responsáveis pela limpeza pública”, pontua. Quando o questionamento se voltou para a saúde pública na capital baiana, a insatisfação foi muito maior. A avaliação negativa bateu a casa dos 78,8%, enquanto a regular 15,8% e a positiva 3,5%, sendo que nenhum entrevistado avaliou como muito boa ou ótima. “Estes números refletem a falta de estrutura da saúde pública. O atendimento preventivo e ambulatorial está cada vez mais dificultado pelo volume da procura e da escassez da oferta”, disse Maria Helena, complementando que as mesmas pessoas afirmam que só procuram o serviço de saúde “em último caso”, considerando a demora de atendimento mesmo para as emergências e urgências.

“Para elas, o atendimento em geral (médicos, enfermeiros, administrativo) é péssimo; afinal faltam médicos e medicamentos nos postos; os atendimentos são precários, inadequados, não resolvem e até agravam o quadro clínico, sendo que muitos cidadãos, no desespero, acabam buscando o atendimento particular em locais que tenham possibilidades de pagar”. Foram realizadas 1000 entrevistas, com margem de erro de 3,2% para o conjunto amostral, para mais ou para menos.

Governos Wagner e ACM Neto têm avaliação regular

Os dados levantados pela pesquisa do Instituto Planter/Sindlimp refletem na avaliação do prefeito ACM Neto (DEM) em Salvador. Ao todo, 44,4% da população considera regular os primeiros 11 meses da gestão atual, eleita sob forte expectativa de mudança da realidade da cidade, herdada do ex-prefeito João Henrique. Já 22,2% considera positivo o governo Neto, com 14,5% de muito ruim ou péssima e 8,9% de ruim. 3,6% acha boa e 6,4% não opinou se mostrou indiferente.

A população também opinou sobre a avaliação do governo Jaques Wagner em Salvador. Ao todo, 36,3% considera regular/mais ou menos a gestão estadual. Já a avaliação positiva do governo na capital é 22%, com 19,2% de muito ruim/péssimo, 5,4% de muito bom/ótimo. Não sabe ou não opinou 6,7% da população. Questionada, 89,6% da população disse que o governo do estado poderia investir mais na cidade, com. 6,8% é indiferente ou não opinou e 3,6% disse não precisar de mais investimentos na capital. O governo Dilma Rousseff surpreendeu com avaliação positiva de 33,5%, com avaliação regular de 33,1% e 26,6% de negativa.

Segurança mal avaliada por 70,6% da população

A segurança pública foi rejeitada por 70,6%, que classifica o setor como negativo, com 18,3% como regular e 9,9% como positiva. “O medo está estabelecido na população de Salvador. Infelizmente faz parte do dia a dia. Os cidadãos não sabem quando podem ser abordados por bandidos e a maioria não tem esperança que a situação melhore. Ao contrário, acreditam que vai se agravar, principalmente nos próximos meses com o advento das festas. Em suma, não acreditam em solução. É o medo generalizado em toda a população, independente de onde more, sexo, renda e etnia”.

No que diz respeito ao ensino público municipal, a avaliação negativa foi 54,8%, enquanto a positiva de 11,5% e a regular 27,1%. De acordo com a coordenadora da pesquisa do Instituto Planter, a população não acredita mais que a educação formal possa levá-la a uma melhoria econômica e social. “As escolas não são mais os locais aonde se constroem cidadãos. Além disso, a percepção da população é que os professores não têm o interesse e estímulo em formar, ensinar e orientar: nem gostam de dar as aulas, não comparecem, não são bem formados”, destacou. “Enfim, para a população a educação está ruim a cada dia, não vai melhorar, pois viraram pontos de venda de tudo, menos de se receber e priorizar o conhecimento”.

Apenas a iluminação pública foi bem avaliada, obtendo um percentual de 48,6% positivo, 27,7% regular e 22,9% negativo. “Por fim, a pesquisa mostra que o resultado evidencia que a população está cansada da maquiagem dos governos, que informam uma coisa, fazem outra e os resultados são também outros, cada um diferente”.

Outro dado curioso é que a maioria dos entrevistados admite que a responsabilidade pela limpeza urbana não é apenas da prefeitura, mas de todos, o que contribui para este cenário de avaliação mediana. “A população, por exemplo, tem consciência de que ela própria é responsável pela falta de higiene e proliferação de doenças e mal-estar no local onde mora, já que admitem colocar o lixo fora do horário, acondicionando-o de forma não apropriada”, pontuou.

O poder público, segundo a própria população, peca no quesito incentivo e precisa investir em campanhas educativas na área de conservação e limpeza urbana. “Integrando as ações e segmentando-as, preferencialmente por bairro ou quadras, não com pessoas tomando conta do lixo, mas sim conscientizando, promovendo campanhas e gerando benefícios visíveis e palpáveis, como bonificações no IPTU”, frisou, dando ainda como exemplo, o incentivo à coleta seletiva. “Em suma, as ações devem ser pensadas para serem executas pela prefeitura, porém em consonância com o que e como a população recebe-as e as aceita”.

Fonte: iG

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje