“O PSB não está colocado para ser plano B do PT”, diz líder sobre Campos como vice de Lula

O deputado Beto Albuquerque (RS), líder do PSB na Câmara dos Deputados, descarta qualquer chance de que o governador pernambucano, Eduardo Campos, possa ser vice numa eventual candidatura do ex-presidente Lula. “Lula não é será candidato, e o PSB terá um candidato próprio a presidente da República, que será o Eduardo Campos”, diz o socialista.

Ele afirma que “100%” do PSB quer a candidatura própria ao Palácio do Planalto em 2014. “Queremos nosso protagonismo”, proclama o líder.

Em entrevista ao Poder Online, Albuquerque assegura que há disposição em dialogar com a presidente Dilma Rousseff (PT), mas não esconde, em diversos momentos, que as arestas ainda estão longe de estar aparadas, pede respeito e lamenta. “Infelizmente essa disposição em dialogar veio somente num momento de dificuldade do governo”, avalia o deputado.

Poder Online – O governo andou tendo problemas com a base nesse ano. Como o senhor acha que será a governabilidade daqui para frente?
Beto Albuquerque – A base aliada de qualquer governo, para se manter unida, precisa ter um diálogo, precisa ser respeitada e ouvida e essa não é a experiência que temos no governo. Em 30 meses, duas reuniões. É um jejum de diálogo que vai criando arestas. Toda base precisa de diálogo. Com as manifestações parece ter havido uma nova disposição em dialogar.

E qual é a disposição em dialogar daqui para frente?

Não temos problemas em dialogar, desde que não seja imposição. Não é só para dizer amém. Queremos o direito de opinar, de criticar. Infelizmente essa disposição em dialogar veio somente num momento de dificuldade do governo.

O governador pernambucano Eduardo Campos anda sumido, o ímpeto em ser candidato esfriou?
Ele é governador, tem responsabilidades. O partido tem feito discussões e hoje diria que 100% do PSB quer ter um candidato a presidente da República. Alguém jovem, dinâmico, um gestor já testado com as questões colocadas pelos manifestantes nas ruas, em temas como Saúde, Educação e Segurança, que foram as grandes bandeiras das ruas. Claro que Pernambuco não está com tudo resolvido, mas pode ser comparado hoje com qualquer outro Estado do país. O PSB está trabalhando pela candidatura. Não é o Eduardo que decidirá sozinho. O PSB tem criado as condições para a candidatura, fazendo alianças nos estados, dialogando.

Foi noticiado que o ex-presidente Lula e Eduardo Campos encontraram-se recentemente. Está havendo uma aproximação?
A notícia de que houve um encontro não é real. Eles conversaram por telefone. O PSB tem um carinho pelo Lula. Estivemos com ele em derrotas e vitórias. Aprendemos com ele que disputar é o caminho para ganhar. Também queremos nosso protagonismo. Foi uma conversa entre amigos. Nunca houve distanciamento. Quem quer ser protagonista tem de ser respeitado.

Há quem diga que Eduardo Campos é o vice dos sonhos do Lula, o senhor acha que ele seria um bom vice para Lula?
Temos no PSB hoje duas convicções: o Lula não é será candidato, e o PSB terá um candidato próprio a presidente da República que será o Eduardo Campos. O PSB não está colocado para ser o plano B do PT.

Como estão as conversas nos estados para definição das candidaturas para o ano que vem?
Temos tempo. O ano da eleição é 2014. Nos estados em que governamos essas conversas passam pelos governadores. O PSB não tem essa tradição de imposições de cima para baixo. Além dos seis estados que governamos hoje, nossa meta é ter candidatura própria em outros seis estados. Nos demais, trabalharemos para compor e viabilizar palanques para Eduardo Campos.

Quais são esses outros seis estados em que o PSB pretende lançar candidatura própria?
Minas Gerais, Paraná, Goiás, Acre, Rondônia e estamos avaliando as possibilidades no Rio de Janeiro. Esse é um momento para muito diálogo.

Havia uma mágoa do PSB por causa da forma agressiva como o PT vinha articulando com os governadores do partido. Houve melhora nessa situação?
O momento em que havia gente que achava que o jogo estava ganho, acabou. Tinha gente que já estava pegando na taça, achando que já tinha vencido. Agora temos um novo jogo, zerado. É tempo de refletir. A arrogância precede a derrota. O jogo vai começar sob outras perspectivas.

Fonte: IG

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje