Muda, Dilma. Ignore as pesquisas – Paulo Henrique Amorim

A sucessivas pesquisas indicam, sugerem o que é um sentimento que se recolhe em toda parte.

O “Datafalha” tem falhas.

As de sempre.

Subavalia os eleitores mais pobres e mais distantes.

O Globope é, por definição, comprometido.

Muitas vezes errou e muitas vezes já errou de forma interessada.

Essas pesquisas não confirmáveis, sem papel carbono, como queria o Brizola, no meio da campanha eleitoral, podem chegar a qualquer resultado.

Não há como submetê-las a um controle de qualidade.

Ainda mais num país de 100 milhões de eleitores, dois institutos de pesquisa hegemônicos associados a um partido de oposição, o PiG – e uma rede de tevê que controla 80% da verba publicitária do país e, suspeita-se, incorporou a evasão fiscal ao plano de negócios.

Pelo menos o CADE deveria intervir: sem pagar imposto, configura-se o abuso do poder econômico, não é isso, amigo navegante ?

As pesquisas são um farol baixo na neblina.

Todo mundo percebe que a Dilma se tornou vulnerável.

Muito antes das manifestações, como anotou o Marcos Coimbra na entrevista ao Edu.

Ficou claro na votação da MP dos Portos, desde lá, que ela tinha perdido o PMDB.

A passividade diante do massacre do PiG.

A incapacidade de se explicar, de persuadir, de enfrentar o Golpe no campo do Golpe: na mídia, na arena do conflito de ideias.

Na realidade, para o eleitor, a Dilma governa mas não tem Governo.

Não tem Ministro da Justiça que inspire um mínimo de Segurança e respeito à Lei.

A articulação política apenas afundou – porque já se tinha afogado – no impasse entre a Assembleia Constituinte Exclusiva – uma ótima ideia – e um plebiscito que vai servir, se tanto, para enfiar pela goela abaixo da Oposição.

Com os sindicatos ela conversa menos do que com os empresários.

Nenhum dos dois se encaixa na categoria de “fã incondicional”.

Com quem fala a Dilma, hoje ?

Com o núcleo duríssimo do PT, que ela trata como o cunhado devasso do Nelson Rodrigues.

Se pudesse, não convidava para festa de batizado.

Conversa, aparentemente, com o Lula.

Mas, são conversas criptografadas que, por aí, não produzem efeito político.

Se ele fala, ela ouve ?

Os pesquisólogos piguentos são como os comentaristas da Globo: confirmam o placar.

Não precisa ser engenheiro da NASA  para perceber, na fila do ônibus, que a Dilma não é mais a última bolacha do pacote.

Ela pode perder a eleição, apesar do favoritismo.

Embora, as condições materiais – como observou o Marco Coimbra – não se tenham deteriorado.

Não há desemprego, a inflação cai, a ascensão continua, a desigualdade diminui.

Mas, como disse o Lula aos jovens, no New York Times, quem comprou o primeiro carro agora quer participar.

Quer dar palpite nas políticas públicas que afetam a sua vida.

Querem ser ouvidos e se fazer ouvir – e, portanto, querem uma Ley de Medios.

E, se Lula temia a Globo, a Dilma assiste à Globo.

É diferente.

É a diferença entre o Franklin Martins e o Bernardo plim-plim.

As manifestações insufladas, conduzidas pela Globo derrubaram a Dilma e no lugar botaram outra Dilma.

Mais fraca e inclinada para a Casa Grande.

É sempre assim: depois de um Maio de 1968 vem sempre um De Gaulle.

E por falar nisso: o Governo Dilma tem Ministro das Relações Exteriores ? Já tomou posse ? Está afônico ? Cadê o Marco Aurélio Garcia? Clique aqui para ler como o Obama traiu o Lula, quando o Brasil tinha vocação para ser ator e não figurante na cena internacional.)

Claro que a Dilma pode se reeleger.

Basta olhar os adversários.

Tudo somado não dá uma fragata inglesa.

Porém, contra qualquer um deles, ela pode perder no segundo turno, que se resolverá na urna eletrônica não conferível, na Globo e no Supremo Tribunal Federal (do Paraguai).

Ali, o Bolsonaro entra com uma mandado de segurança e o Supremo dá posse ao Fernando Henrique.

Ou ao Jabor.

No segundo turno, a Dilma pode ser triturada pela mais formidável ofensiva Golpista e Reacionária que se montou no Brasil.

A FGV-Rio, o IBAD, o Instituto Millenium, o IPÊS e a Casa das Garças enriquecerão o combustível nuclear que fará o Palácio do Planalto ir pelos ares.

E ela assistirá ao Golpe no cenário multi-colorido do horário eleitoral gratuito.

Porém, a Dilma pode mudar.

Mudar não ela.

Mas, o Ministério, o Governo dela.

Dar um banho de credibilidade, de disposição para a briga.

Não a briga no gabinete, com o testemunho de quem serve o cafezinho.

Brigar com o Golpe.

Na rua.

Com o povo.

Os partidos.

Os sindicatos.

(E jovens sem máscaras.)

Enfrentar o Golpe com raiva.

A Democracia merece.

Impedir que a Casa Grande volte a governar.

Impedir a revogação da Lei Áurea.

A revogação do monopólio da Petrobras.

A venda do Bolsa Família à Wal Mart.

Do Protec ao Di Genio.

O desmanche da obra do Lula.

Fonte: Conversa Afiada 

 

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje