Europa virou o maior “cisne negro” da economia, diz SocGen

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A Europa é hoje o maior “cisne negro” da economia global, de acordo com um relatório recente do Société Générale.

A chance de que a incerteza de políticas públicas no continente cause turbulência nos mercados e um tombo nos resultados econômicos está atualmente em 40%.

O banco francês divulga trimestralmente sua tabela de “cisnes negros”, conceito de Nassim Nicholas Taleb para agrupar eventos inesperados e de alto impacto.

Para entender o perigo europeu, basta ver alguns itens que estão na agenda, como uma nova eleição na Espanha no final de junho, após meses de fracasso na formação de um governo, e um referendo na Itália em outubro que pode mudar a estrutura do Senado.

Mas o maior perigo de todos é que o Reino Unido decida deixar a União Europeia no referendo do próximo dia 23, que já figurava em primeiro lugar entre os cisnes negros no relatório de março.

“Sejam boas ou más notícias, um desfecho inesperado provavelmente causaria um choque de incerteza. O resultado seria um clima de fuga de risco nos mercados e um vento contrário de curto prazo à produção até que uma maior clareza retorne”, diz o texto do SocGen.

As últimas pesquisas mostram avanço da campanha para a saída, ainda que o primeiro-ministro David Cameron e outros órgãos alertem que as consequências econômicas disso seriam amplamente negativas.

Em nota assinada pelos analistas Sonali Punhani e Neville Hill, o Credit Suisse estima que haveria uma queda de 2% do PIB da qual a economia nunca se recuperaria totalmente.

Uma possível saída do país também despertaria novamente o temor de dissolução do bloco que tanto assustou os mercados no pico da última crise do euro.

Completam a lista dos cisnes negros do SocGen um pouso forçado da China (30% de chance), uma reprecificação acentuada da expectativa de atitude do Federal Reserve americano (25%) e um crescimento global bem mais fraco (20%).

“O potencial para erros de políticas na China é substancial, ainda mais considerando que uma nova bolha parece estar aparecendo no mercado imobiliário. As autoridades estão claramente dispostas a começar a reconhecer e lidar com a montanha de empréstimos improdutivos mas esta abordagem será de tentativa e erro, com os riscos de baixa implícitos nesse nome”, diz o texto.

Os “riscos positivos” são de maior investimento no Japão e na zona do euro (20% de chance), mais acomodação fiscal (20%) e reformas rápidas (10%).

Fonte: Exame

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje