Em entrevista exclusiva ao Alagoinhas Hoje, José Sergio Gabrielli apresenta as estratégias para o desenvolvimento da Bahia e de Alagoinhas

O secretário do Planejamento, José Sergio Gabrielli, é um dos quadros mais preparados do Partido dos Trabalhadores, que ao longo dos últimos 30 anos uniu os conhecimentos acadêmicos à militância política. JSG é o mais longevo presidente da Petrobrás e ganhou prêmios internacionais como principal executivo da companhia.

Gabrielli concedeu entrevista exclusiva ao Alagoinhas Hoje. Registre-se a disponibilidade da Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual do Planejamento, que facilitou o trabalho do site.

Na entrevista, o secretário apresenta as estratégias para o desenvolvimento da Bahia e de Alagoinhas.

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Quais as obras estruturantes que em 2013 se tornarão realidade para a população baiana?

Entre as obras que em 2013 se tornarão realidade cito a conclusão da Via Expressa, em Salvador, que é a maior obra viária dos últimos 30 anos. É um investimento de R$ 381 milhões, que cria um novo acesso ao Porto de Salvador para o escoamento da produção baiana, além de transformar profundamente o trânsito na área central na capital, solucionando problemas de engarrafamentos na Rótula do Abacaxi, Ladeira do Cabula, Largo Dois Leões e Baixa de Quintas.

Além disso, terá início a construção do Porto Sul e do Metrô entre os municípios de Salvador e Lauro de Freitas, a continuidade da construção da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), bem como a montagem dos projetos do Sistema Viário Oeste, que tornará realidade a construção da ponte Salvador-Itaparica.

Será inaugurada, em março, a Arena Fonte Nova, que será palco de um dos maiores clássicos do futebol mundial ainda este ano, durante a Copa das Confederações, com o jogo entre Brasil e Itália. Por fim, terá início a construção do aeroporto de Vitória da Conquista, além da reforma e ampliação dos aeroportos de Barreiras, Lençóis, Porto Seguro e Salvador.

O Estado ampliou sua capacidade de investimento para 2013?

Sim. Um dos principais diferenciais do Orçamento de 2013 é o crescimento de 98,8% no volume de investimentos, que saltou de R$ 2,15 bilhões, em 2012, para R$ 4,28 bilhões neste ano, o que vai representar 13% do total do orçamento. Esse aumento foi viabilizado pela ampliação da margem de operações de crédito do Estado, que teve um volume de recursos captados da ordem de R$ 3,92 bilhões (47% a mais que em 2012).

Os investimentos serão aplicados prioritariamente na área de Produção, que vai receber 54,4% a mais em 2013, passando de R$ 1,64 bilhão a R$ 2,54 bilhões em áreas como a de Transportes. O setor será beneficiado com R$ 854 milhões – 213,6% a mais ao ser comparado com o montante investido em 2012.

Outros setores contemplados são os do Comércio e Serviços, que terá incremento de 50,3% (R$ 432 milhões), Ciência e Tecnologia (35,3% a mais, R$ 166 milhões), Comunicações (17% de crescimento, com R$ 116 milhões) e Agricultura (10,8%, somando R$ 474,8 milhões), incluindo ainda Organização Agrária e Indústria.

A Bahia é um estado pobre, com um orçamento menor do que o município de São Paulo. Isso indica que é preciso melhorar a qualidade do gasto público? Qual tem sido o trabalho da Secretaria de Planejamento neste sentido?

Melhorar a qualidade do gasto público é melhor, sempre. Não somente porque o orçamento é pequeno. A melhoria do gasto público implica em otimizar o recurso, seja para investir em novas ações, ou reduzir os gastos com ações tradicionais, mas sempre com a missão de servir bem a população. Nesse sentido, o papel da Secretaria do Planejamento do Estado (Seplan) é o de aprimorar o sistema de monitoramento, acompanhamento e avaliação das políticas públicas e dos 47 programas de governo, bem como auxiliar os municípios a elaborar os seus Planos Plurianuais, que serão realizados ainda este ano.

As PPPs estão dentro das estratégias de desenvolvimento do estado?

Sim. As Parcerias Público-Privadas (PPPs) são importantes em obras onde existe a possibilidade de atrair recursos privados para o investimento, enquanto que o Estado faz o ressarcimento ao longo do tempo da utilização desse recurso. Evidente que as PPPs são uma estratégia, mas não são a única forma de resolver todos os problemas, pois as PPPs tem limites financeiros para a utilização de recursos públicos.

Historicamente, a industrialização foi um dos caminhos para o desenvolvimento da Nação e do estado. Contudo, com a tecnologia cada vez menos empregos são gerados em plantas industriais. O esforço governamental para a atração de indústrias foca quais aspectos?

A prioridade é ampliar e diversificar o investimento industrial no Estado, a exemplo do complexo automotivo e de saúde, além do polo acrílico, construção de equipamentos para a geração de energia eólica, bem como o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, que abre uma possibilidade de retomar o desenvolvimento da indústria naval na Bahia. Além disso, o estado tem crescido na área de Comércio, Serviço e Construção Civil, o que leva a investimentos nesses segmentos, tanto na capital quanto no interior. Isso tudo sem contar a modernização na agroindústria baiana.

Qual o papel do Parque Tecnológico no desenvolvimento da Bahia?

O Parque Tecnológico da Bahia coloca-se como o centro de convergência do sistema estadual de inovação. Poder público, comunidade acadêmica e o setor empresarial vão trabalhar de forma integrada e cooperativa, com foco no desenvolvimento de produtos e processos que tenham impactos regionais positivos e relevantes. A unidade nasce como um centro irradiador da inovação, congregando os principais agentes dinamizadores voltados à geração de ideias e soluções criativas.

Além do empreendimento ter como áreas prioritárias Biotecnologia e Saúde, Tecnologia da Informação e da Comunicação, Energia e Engenharias, o Parque Tecnológico foi concebido para ser uma referência arquitetônica, urbanística e ambiental. Atualmente, temos empresas, inclusive multinacionais, a exemplo da IBM, Portugal Telecom e Ericsson, já instaladas.

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 Quais os esforços para qualificar a mão de obra baiana para que ela possa responder às demandas de um mundo altamente competitivo?

Em primeiro lugar, a qualificação da mão de obra envolve investimentos em todas as etapas da educação formal. Além do foco na qualidade de ensino, na educação básica, por exemplo, é preciso adequar a idade do aluno à idade escolar. O Governo do Estado tem se empenhado em fazer com que todas as crianças e adolescentes estejam nas salas de aula. Paralelo a este esforço, temos ampliado a capilaridade dos cursos profissionalizantes, que são aqueles que, no curto prazo, dão respostas imediatas ao mercado de trabalho e dependem da dinâmica econômica.

Cito apenas alguns dos cursos técnicos ofertados: Administração, Agropecuária, Agrimensura, Alimentos, Análises Clínicas, Artes Visuais, Documentação Musical, Edificações, Eletroeletrônica, Enfermagem, Guia de Turismo, Informática, Instrumentos Musicais, Logística, Manutenção e Suporte em Informática, Mineração, Nutrição e Dietética, Segurança do Trabalho e Vendas.

Por fim, também temos ampliado o acesso à rede universitária do Estado. Acredito que ações sistêmicas são capazes de responder às demandas do mundo atual, que, como você disse, é altamente competitivo.

O índice de investimento do estado, se comparado com o PIB baiano, está dentro do esperado?

O investimento do Estado não é comparável com o PIB baiano. Na verdade, o que se fala é do investimento no Estado, ao invés do Estado. O investimento na Bahia é realizado pelo Governo e setor privado. O investimento realizado pelo setor privado neste momento é um dos maiores pacotes de investimento na história da Bahia.

O Estado da Bahia está vivendo um boom de investimentos e, ao que me consta, é um dos mais altos que o Estado já viu. Se lembrarmos os cinco primeiros anos do Polo Petroquímico, o investimento foi em torno de US$ 7 bilhões. Nós temos, nos próximos cinco anos, uma previsão de investimentos de R$ 80 bilhões, o que dá US$ 40 bilhões a US$ 41 bilhões. Portanto, é de cinco a seis vezes mais do que o Polo Petroquímico. Esse investimento está em andamento agora. Desse investimento, 50% estão em energia e em mineração, investimentos fora da região metropolitana. Energia é fortemente em parques eólicos na região do sudoeste da Bahia e no semiárido até Sobradinho.

E a mineração é fortemente concentrada no sudoeste da Bahia. Esses dois segmentos levam quase 50% desse pacote de investimentos. Os outros 50% ficam uma parte localizada tradicionalmente na região metropolitana, no Recôncavo e no baixo sul, mas tem um enorme investimento também já no extremo sul da Bahia, a Bahia Celulose e toda a parte de celulose que vai para o extremo sul da Bahia. Então, nós estamos vivendo não somente um enorme contingente de investimentos, como também, em termos setoriais, uma descentralização espacial em relação à região metropolitana, o que vai transformar a dinâmica econômica do estado.

Um detalhe importante: esse montante contabiliza apenas os investimentos protocolados junto ao Governo do Estado, o que significa que o volume de recursos é a inda maior, a exemplo de que não estamos considerando os investimentos da Petrobras na Bahia.

JOSE SERGIO GABRIELLI

9) A ponte Salvador /Itaparica, ao final do atual governo, estará em que estágio?

Em 2013, estaremos intensificando os estudos, dentre eles, o modelo econômico-financeiro, além dos impactos ambientais. Devemos iniciar o processo de licitação no primeiro trimestre de 2014. A ponte deve levar de quatro a cinco anos para ser construída e, portanto, ela entrará em operação em 2018 ou 2019.

10) Quais as oportunidades que poderão ser exploradas, em termos de legado, no que se refere aos eventos esportivos programados para os próximos anos?

Os eventos esportivos programados deixam legados, principalmente, na atração de novos visitantes para a Bahia, sobretudo, porque a rede do boca a boca é a melhor propaganda. Mas, além disso, a construção dos equipamentos esportivos abrirá espaço para a qualificação de mão de obra e novas oportunidades de utilização desses equipamentos, relacionadas ao entretenimento.

Ademais, outra janela de oportunidade se refere à mobilidade urbana. Uma das preocupações do governo estadual na Região Metropolitana de Salvador (RMS) sempre foi aproveitar a oportunidade da Copa do Mundo de 2014 para escolher um sistema que dê conforto à população e privilegie o transporte coletivo ao invés do transporte individual, desafogando o trânsito e proporcionando maior qualidade de vida. Constituir um sistema de transporte de caráter metropolitano implica, portanto, em um projeto com integração física, tarifária e operacional, algo que não temos hoje. Como o processo de urbanização observado nas metrópoles é constante, buscamos soluções que atendam os grandes fluxos de transporte, com maior horizonte de vida e, por isso, vamos licitar o metrô.

Outro projeto que merece destaque é o Cidade Bicicleta. Pretendemos dotar nossas cidades de sistemas cicloviários completos que permitam o pleno circuito do trabalhador, da população nas suas atividades e do turista. Além de atender à população, é um projeto que equipa Salvador para o evento da Copa 2014 e transforma a cara da nossa capital. São previstos 217 km de ciclovias em Salvador e Lauro de Freitas, sendo 80 km em regiões de intervenção direta, a exemplo do Acesso Norte/Lauro de Freitas e vias alimentadoras, e 137 km de ciclovias em regiões indiretas. As obras estão orçadas em R$ 41 milhões.

Outro importante investimento é a construção do novo terminal marítimo de cruzeiros turísticos de Salvador. Em 15 anos, o número de turistas que chega a Salvador de navio cresceu 1.067%. Saltou de 24 mil por ano, em 1995, para 280 mil no ano passado. Esse incremento evidencia a vocação turística da capital baiana e também sinaliza para a necessidade de proporcionar uma infraestrutura mais adequada para receber os visitantes. Isso sem falar na própria construção da Arena, a reforma do aeroporto de Salvador e a construção de dois novos, um em Ilhéus e outro em Vitória da Conquista.

11) A Bahia, ao final do governo Wagner, será um estado melhor do que foi encontrado em janeiro de 2007?

Ao final do segundo governo de Wagner, a Bahia será um estado muito melhor do que o encontrado em janeiro de 2007, sobretudo, em relação à inclusão social, redução da pobreza absoluta e aos programas de democracia e participação social. Além disso, teremos um estado com novas oportunidades de negócios, como o boom da energia eólica e a implantação de um polo acrílico. Isso significa que teremos uma atividade econômica muito mais sustentável, já que uma das estratégias foi a descentralização dos investimentos. Portanto, o governador Jaques Wagner deixará o governo com um impacto econômico, social e democrático extremamente positivo em relação ao que ele recebeu antes de 2007.

Alagoinhas, principal cidade do Território Agreste e Litoral Norte, experimenta um momento de grande industrialização. Qual tem sido o papel do Governo do Estado neste boom econômico do município?

O Governo do Estado tem buscado adensar e, simultaneamente, diversificar as cadeias produtivas. Veja que a região possui investimentos no segmento de coco, com o grupo Aurantiaca investindo mais de R$ 200 milhões e, já em janeiro deste ano, iniciando a produção de fibra de coco, cuja utilização é diversificada, servindo desde ao segmento automotivo até petrolífero. Também tivemos a inauguração da Latapack, recentemente, que veio adensar a cadeia produtiva de bebidas. A produção de latas de alumínio dessa indústria retira a produção de Recife e coloca Alagoinhas em condição de destaque na fabricação de produtos do setor de bebidas, agregando valor e gerando empregos. Vale lembrar que a região já conta com empresas de porte nacional, como a Schin/Kirin e Itaipava. Além disso, a cidade tem excelente qualidade de água, cuja fonte é o lençol freático do aquífero de São Sebastião.

O prefeito de Alagoinhas, considerado um político “que pede muito”, tem algumas demandas a serem apresentadas ao Governo do Estado na área de qualificação urbana. Existem recursos disponíveis no orçamento do Estado para o município?

Estive reunido recentemente com o prefeito Paulo Cezar e alguns dos projetos de infraestrutura apresentados estão em análise no Governo do Estado. Certamente, a cidade e a região de Alagoinhas atrairão novos investimentos.

Uma grande fábrica de pisos cerâmicos anunciou sua instalação em Alagoinhas. Existe a possibilidade de instalação de novas indústrias deste segmento no município, cuja matéria prima, a argila, é abundante? 

O grupo que anunciou a instalação está entre os 20 maiores do Brasil, o que, por si só, já é mais uma conquista de peso para a Bahia e a região. Certamente, Alagoinhas receberá novos investimentos, pois, além da farta presença de argila, a posição geográfica do município é privilegiada, facilitando, assim, a distribuição. Apenas esta indústria prevê a criação de 1.500 postos de trabalho diretos e indiretos, incluindo as atividades de serviços e transportes.

EXCLUSIVA PARA O ALAGOINHAS HOJE

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje