Deputado Waldir Pires defendeu a transferência da sede da Petrobras da Guanabara para a Bahia – Maurílio Lopes Fontes
Em setembro de 1961, a transferência da sede da Petrobras para a Bahia foi debatida na Câmara dos Deputados.
O deputado Waldir Pires defendeu a mudança e pediu ao governo que mantivesse a decisão anunciada por Jânio Quadros.

Waldir Pires sustentou que não havia razões jurídicas, econômicas ou administrativas para a empresa continuar sediada na Guanabara (estado cuja capital era o Rio de Janeiro. Foi criado em 1960, quando a capital federal passou do Rio para Brasília. O antigo estado do Rio de Janeiro era separado e tinha Niterói como capital. Os dois foram fundidos em 1975)
A mudança, argumentou, não enfraqueceria a Petrobras. Seria uma medida de descentralização administrativa, capaz de aproximar a direção da empresa de uma região diretamente ligada à história do petróleo no país.
Em aparte, o deputado Luiz Viana acrescentou uma dimensão política à defesa da proposta: “V. Exa. poderia acrescentar que isso é uma aspiração, hoje, tão antiga no sentimento baiano que nenhum governo terá o apoio da Bahia se não realizar a mudança da sede da Petrobras.”
A intervenção de Luiz Viana mostra que a transferência não era vista apenas como uma decisão administrativa.
Estava associada a uma reivindicação antiga, com peso na relação entre a Bahia e o governo federal.
Waldir, por sua vez, procurou afastar a ideia de que a mudança oporia os baianos ao restante do país: “Não acredito que São Paulo e todo o resto do País se oponham à transferência”, afirmou.
Para ele, a questão era a concentração dos órgãos federais, não uma disputa entre estados.
O debate teve também vozes discordantes. Euzébio Rocha classificou como “coação injustificável” a afirmação de que nenhum governo teria o apoio da Bahia se não realizasse a transferência.
O aparte expôs a tensão em torno de uma proposta que reunia argumentos administrativos e uma expectativa política regional.
Com a renúncia de Jânio, Waldir pediu ao governo e aos ministros que mantivessem a decisão anunciada pelo presidente.
O pronunciamento, publicado no Diário do Congresso Nacional de 19 de setembro de 1961, registra tanto a defesa da descentralização quanto a força que a reivindicação da sede da Petrobras havia adquirido na política baiana.

Maurílio Lopes Fontes é licenciado em História, bacharel em Marketing, mestre em Marketing, Comunicação e Consultoria Política (Espanha), diplomado em Gestão de Governo e Liderança Política (George Washington University), especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública (UCSAL), especialista em Estratégia e Liderança Política (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), especialista em Assessoria Política e Governo (UCSAL)

