Com vendas em baixa, governo prorroga IPI reduzido para veículos

O governo decidiu manter a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que incide sobre automóveis até o fim do ano.

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (30) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo o ministro, o objetivo da medida é viabilizar as vendas no segundo semestre. Ele afirmou que as vendas foram “fracas” na primeira metade do ano e listou como motivos a diminuição do crédito e menos dias úteis (foram sete dias a menos).

Assim, estão mantidas as seguintes alíquotas de IPI:

  • 3% para veículos até 1.000 cilindradas flex
  • 9% para veículos entre 1.000 e 2.000 cilindradas flex
  • 10% para veículos até 2.000 cilindradas a gasolina

A previsão era que a alíquota para veículos flex até 1.000 cilindradas, por exemplo, voltasse a 7% a partir desta terça-feira (1º).

Mantega se reuniu hoje com representantes das montadoras e das concessionárias de veículos.

O setor defendia a manutenção do desconto diante de um recuo acentuado nas vendas. De janeiro a maio, o licenciamento de veículos (que inclui automóveis e comerciais leves) recuou 5,19%, segundo a Fenabrave (federação das concessionárias).

Até sexta-feira passada –ou seja, sem o mês de junho fechado–, as vendas acumulavam queda anual de 8%.

A produção, apenas de automóveis, caiu 14,5% entre janeiro e maio, ante o mesmo período do ano passado, segundo a Anfavea (associação das montadoras).

COMÉRCIO

Representantes do comércio também se reuniram com o ministro nesta segunda. Eles pediram que o governo mantivesse o desconto do IPI sobre móveis. O imposto havia subido de 3,5% para 4% em janeiro. O governo planejava restabelecer a alíquota de 5% em julho.

O ministro ainda se reúne nesta segunda-feira com representantes do setor moveleiro –uma decisão sobre o setor deve sair nas próximas horas.

O varejo acumula aumento de 5% nas vendas de janeiro a abril, o dobro da expansão verificada no mesmo período do ano passado. Segundo o IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo), as vendas poderiam estar em ritmo mais acelerado se o crédito estivesse menos travado.

A previsão dos varejistas é que haja uma moderação nas vendas entre junho e julho, em razão dos feriados e da Copa do Mundo. Ainda assim, estima fechar o ano com um incremento das vendas de 6% neste ano.

Para representantes do setor, o sucesso da Copa do Mundo tende a reverter a onda de pessimismo sobre o consumidor.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje