Aumento da Selic não prejudica investimento e crescimento, diz Fazenda

O aumento da taxa básica de juros da economia brasileira –a Selic– não vai prejudicar os investimentos no país e a aceleração do crescimento econômico é compatível com o controle da inflação, disse nesta quinta-feira (18) o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa.

“A taxa de juros é administrada conjunturalmente. Não é 0,25 ponto percentual a mais ou a menos que muda a perspectiva de longo prazo”, disse Barbosa, que é secretário-executivo do ministério e participou de encontro hoje com representantes da associação das montadoras, a Anfavea.

Sem entrar em detalhes, ele afirmou que há sinais que indicam o aquecimento da economia do país. “Há fundamentos de recuperação no longo prazo que vão garantir o crescimento de 3,5% neste ano.”

O secretário reiterou que a inflação voltará o centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5% ao ano. “A política econômica do Brasil tem estratégia, está no rumo certo, a inflação vai voltar ao centro da meta.”

Para ele, o governo trabalha em algumas frentes para combater a alta dos preços. “Estamos trabalhando para aumentar a competitividade e a produtividade do país, no longo [prazo] é isso que segura a inflação”, disse o ministro interino. “A aceleração para o crescimento prevista para este ano é perfeitamente compatível com o retorno da inflação à meta.”

O secretário, no entanto, não quis se estender nos comentários sobre política monetária. “Não cabe ao Ministério da Fazenda falar sobre juros, vamos esperar a ata do Copom.”

7,5% AO ANO

Ontem à noite, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a Selic após quase dois anos, para 7,50% ao ano. Em 21 de julho de 2011, data da última alta da Selic, a taxa de juros básica passou de 12,25% para 12,50% ao ano.

O BC eleva a taxa de juros básica da economia para aumentar o custo dos empréstimos e, com isso, tirar dinheiro do mercado. Com uma menor oferta de crédito, o consumo desacelera e a alta de preços (inflação) tende a perder força.

No sentido oposto, uma redução nos juros praticados estimula o consumo e a economia porque aumenta a quantidade de crédito oferecido. O problema é que, em uma economia muito aquecida, os preços tendem a subir com maior velocidade.

Em março, o IPCA (índice utilizado pelo governo para medir a inflação) atingiu 6,59% no acumulado dos últimos 12 meses e estourou o teto da meta do Banco Central –que é de 4,5% ao ano com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo–, pressionando a autoridade monetária do país a subir os juros.

O aumento ocorreu após três reuniões seguidas do Copom (Comitê de Política Monetária) em que a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, o menor nível da história. O último corte, de 7,5% para 7,25%, ocorreu em outubro de 2012. Desde agosto de 2011, a Selic caiu 5,25 pontos percentuais, em dez reduções consecutivas.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje