Aloysio Nunes contraria Marina e Aécio ao defender reeleição

Candidato a vice-presidente da República na chapa de Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes Ferreira diz ser a favor “da manutenção da reeleição”. Também se mostrou favorável à descriminalização do aborto.

Senador por São Paulo, Aloysio discorda de Aécio nesses dois temas. O candidato do PSDB à Presidência afirma ser contra a reeleição e a favor de manter inalterada a atual legislação sobre o aborto.

Em relação a uma flexibilização das leis trabalhistas, Aloysio afirma ser a favor “em termos”. Apoia a jornada semanal de 40 horas. Defende as reformas política e tributária, mas ressalta que é preciso saber os detalhes, porque há diversas propostas. É contra descriminalizar o uso da maconha. Ele se opõe às penas de morte e de prisão perpétua.

Aloysio diz que a razão para o eleitor não votar na presidente Dilma Rousseff seria “o conjunto da obra que não está agradando mais”.

Diz que a fórmula atual de reajuste do salário mínimo deverá continuar, mas, se houver revisão, será mantido um reajuste real. O atual mecanismo, previsto em lei, corrige o mínimo pela inflação do ano anterior e a variação, se positiva, do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes.

Aloysio afirma que um eventual governo do PSDB vai corrigir o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço pelo índice de inflação. A tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas também seria atualizada pelo mesmo indicador.

Indagado se essas medidas não restringiriam o espaço fiscal no Orçamento, o vice de Aécio diz que “o Brasil vai voltar a crescer”. Ele nega cortes na área social e em investimentos em infraestrutura.

Aloysio declara que a criação do programa “Família Brasileira”, proposto por Aécio, não significa o fim do Bolsa Família no prazo de cinco anos. De acordo com a proposta, as famílias do Bolsa Família serão divididas em cinco níveis de carência. Segundo Aécio, nenhuma família ficaria mais de um ano na mesma faixa porque o Estado tomaria medidas para ascensão social.

Indagado se isso poderia significar o fim do Bolsa Família quando uma família no maior nível de carência completar cinco anos no programa, ele diz se tratar de “meta temporal para que as pessoas possam ascender”, mas que “não significa que vai acabar”.

“Evidentemente, nós não podemos nos contentar em anunciar que a cada ano aumentamos o número de beneficiários do Bolsa Família. Vamos aumentar se for necessário. Agora, o que nós queremos é que o Brasil volte a crescer.”

Afirma ser “maluquice” Dilma falar que seria “golpe” a divulgação dos depoimentos à Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff.

Contrariado, diz ser “uma infâmia” mencionar o episódio de compra de votos para aprovar a reeleição em 1997, no governo Fernando Henrique Cardoso. Lembrado de que a Folha de S. Paulo revelou o caso, ele diz: “A Folha não é uma bíblia sagrada”.

“Se tivesse havido qualquer vestígio de culpa, você acha que o PT, que tinha a faca e o queijo na mão, não iria mostrar?” Afirma que não houve, na transição de governos, compromisso de Lula não investigar FHC.

“Esse negócio de compra de voto, comigo não. Isso não existe. Não aceito essa conversa. (…) Exatamente. Estou dizendo a Folha e a você que é mentira”, declara.

Afirma que o mensalão do PSDB mineiro está sendo investigado e que seria diferente do mensalão do PT.

Diz que o “mensalão foi uma armação na mais alta cúpula do governo federal. O Lula estava implicado nisso. Evidentemente o Dirceu não estava fazendo isso sozinho.” Lembrado de que Lula nunca admitiu culpa, afirma que o ex-presidente ainda não deu depoimento à Polícia Federal sobre uma investigação ainda em curso sobre o caso.

Afirma que havia mais corrupção no governo PT. Diz não ter elementos para julgar as seguidas nomeações de Geraldo Brindeiro para procurador-geral da República na gestão FHC. Brindeiro ficou conhecido como “engavetador-geral da República”.

Aloysio é contra a existência da função de vice-presidente da República. “Considero realmente que hoje você tem outras fórmulas para a substituição ou mesmo a sucessão do Presidente da República, aliás até previstas na Constituição.”

Afirma que até hoje não foi definida em lei o papel do vice, como previu a Constituição de 1988. “O presidencialismo no Brasil é muito forte. Ninguém quer bulir.” Indagado se dar poder ao vice poderia resultar em crise, responde: “Exatamente”. Diz ser amigo de Aécio e ter “alguma experiência política e administrativa para ajudá-lo”.

Fonte: Blog do Kennedy

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje