Zezéu admite que deixou Seplan para ‘projetar’ Gabrielli e crava: Rui é o candidato de Wagner

O deputado federal Zezéu Ribeiro, um dos fundadores do PT no estado, confirmou ao Bahia Notícias o que há muito se comenta nos bastidores: Rui Costa é mesmo o candidato do governador Jaques Wagner à sua sucessão. Pela primeira vez, também, o parlamentar admitiu que a sua saída da Secretaria de Planejamento (Seplan) foi uma abertura de espaço para José Sérgio Gabrielli, que seria o nome da cúpula nacional petista (leia-se Lula e José Dirceu) para a eleição de 2014. “Acho que para onde ele fosse o sentido era dar a ele uma projeção no plano estadual”, reconheceu, embora pontue que a manobra e o projeto da Ponte Salvador-Itaparica não foram caça-votos. “Eleitoreiro seria se fosse uma manifestação para fazer dele candidato. E acho que ele se colocou de forma muito tímida nesse processo. Ele tinha que ter sido mais ostensivo na formulação de uma política e na afirmação do seu nome nessa política. Ele é o meu candidato”, revelou.

Na entrevista, Zezéu fala ainda dos motivos que o levaram a desistir de disputar a reeleição à Câmara, aposta no nome do reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Paulo Gabriel, como “herdeiro” da sua votação, ratifica que tentará ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e comenta a crise ideológica na sua sigla. “Acho que o PT perdeu muito. Ele tinha que ser mudado, porque não pode ser o PT de 1980 agora em 2013. […] Eu entendo que a política de alianças é uma política correta, mas às vezes a gente amplia mais do que o necessário”, avaliou, apesar de reclamar da “inconsequência da direita” sobre o colapso econômico, classificar o mensalão como “manipulação da grande imprensa” e atacar a Rede Globo: “Ela quer ser a opinião pública”. Em relação aos tiros disparados pelo subsecretário de Segurança Pública Ary Pereira contra militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) – historicamente ligado ao PT –,  o deputado definiu como “temeridade” a invasão com foices e porretes ao prédio da pasta, mas condenou a reação. “Isso aí leva a uma irracionalidade de um dirigente, que eu não posso dizer que concordo que se dê tiro em população. Eu acho que tinha forma de coibir de outra forma. Seria mais salutar”, considerou.

Fonte: Bahia Notícias

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje