‘Vai ter que se ajoelhar a Cunha’, diz Dilma sobre governo Temer

A presidente afastada Dilma Rousseff, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, disse que o presidente interino Michel Temer deveria fazer como ela: defender a recriação da CPMF.

Para a petista, “quem paga o pato, quando não se tem imposto num país, é a população”, com cortes em áreas como educação e saúde. Ela nega ter dado guinada na política econômica depois de eleita. Admite que cometeu erros, mas sem dizer quais, pois “essa volta ao passado não existe”.

“Não vale a pena olhar para trás, com tudo já passado, e falar “tinha de ser assim […] Como é que eu vou falar da situação depois?”, questionou.

“Nós passamos um ano terrível em 2015 e fizemos todo o esforço para não ter corte em programa social. Nós assumimos [a proposta de se recriar] a CPMF, sem pudor. Nós nunca entramos nessa do pato [símbolo criado pela Fiesp para protestar contra aumento de impostos]. Aliás, o pato tá calado, sumido. O pato tá impactado. Nós vamos pagar o pato do pato, é? Porque quem paga o pato, quando não se tem imposto num país, é a população. Vai ter corte na saúde. Já falaram em acabar com o Mais Médicos, já falaram que o SUS não cabe no orçamento. Depois voltaram atrás”, contou.

A presidente ainda comentou sobre a interferência do presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha, no governo peemedebista. “Podem falar o que quiserem: o Eduardo Cunha é a pessoa central do governo Temer. Isso ficou claríssimo agora, com a indicação do André Moura [deputado ligado a Cunha e líder do governo Temer na Câmara]. Cunha não só manda: ele é o governo Temer. E não há governo possível nos termos do Eduardo Cunha”, disse.

Ela não poupa críticas ao governo interino e diz que ele terá que “se ajoelhar” para Eduardo Cunha, com quem “não há negociação possível”.

Fonte: Exame

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje