Salvador quer ser segundo destino do país durante a Olimpíada

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Durante a Olimpíada Rio 2016, Salvador vai sediar dez partidas de futebol feminino e masculino, de  quinta-feira até o dia 13. Na bagagem, a cidade conta com a experiência da Copa das Confederações e da Copa do Mundo de Futebol, eventos de grande porte realizados em 2013 e 2014. Há um ano e meio, o engenheiro e economista Jorge Khoury assumiu o Escritório Salvador Cidade Global, órgão vinculado diretamente ao gabinete do prefeito ACM Neto, com a missão de preparar a capital baiana para a Olimpíada.

“Pelo conhecimento passado, a gente tem a possibilidade de adequar e ajustar, com o foco tanto de melhor receber o nosso visitante, como também trazer o menor transtorno para os nossos habitantes”, conta Khoury, que foi secretário municipal de Educação de 2013 a 2014. Ele conversou com o CORREIO sobre as expectativas e legado dos Jogos Olímpicos e questões como infraestrutura, mobilidade e trade turístico.

O que a cidade pode esperar durante a Olimpíada em termos de estrutura física?
Após a realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, tudo que tinha a ver com estrutura física atende perfeitamente às necessidades da Olimpíada. Foi esse o legado que ficou. Neste momento, pelo conhecimento passado, a gente tem a possibilidade de adequar e ajustar, com o foco tanto de melhor receber o nosso visitante, como também trazer o menor transtorno para os nossos habitantes.

Quais serão as principais mudanças no trânsito nos dias de jogos?
Surgiram questões em relação ao entorno da Arena Fonte Nova e à restrição de circulação muito grande para os moradores e pessoas que usam aquela área. Hoje, o que está se vendo é a restrição de uma área bem menor, sem abrir mão da segurança e da comodidade. As mudanças vão ser feitas de maneira que a pessoa que vá para o estádio possa chegar sem complicação e quem não vai também possa circular na cidade. Vamos diminuir a área e o tempo de restrição, mas sempre deixando alternativas. No entorno da Arena, também está sendo preparada uma sinalização com informação vertical, que vai dar muita visibilidade para que as pessoas identifiquem os lugares, pontos de táxi, entrada e saída.

De que forma o evento pode incentivar o turismo na cidade?
Em relação a receber bem, o prefeito ACM Neto tem colocado sempre o esforço que o município está fazendo no sentido de que Salvador seja o segundo destino dos turistas que venham para a Olimpíada, depois do Rio de Janeiro. Neste momento, o foco está sendo dado ao turismo cultural, além de outras áreas, como o turismo de sol e mar, gastronômico, religioso. Vamos trabalhar tudo que está previsto para o período e vamos rearrumar, organizar, criar todas as condições possíveis para que o turista conheça o calendário do que estará acontecendo na cidade. Tudo isso está sendo divulgado por folheto e também no site da Rio 2016.

Vai ter também o trabalho com os Personagens Vivos, que deu muito certo no verão passado. Nesse momento em que se considera baixa estação, independente da crise que a gente está vivendo, o trade turístico espera um crescimento no período dos jogos. A expectativa que se tem em relação à vinda de torcedores para as partidas é muito grande. O México é o último campeão olímpico de futebol e a Alemanha, o último pela Fifa. Entre todos que vão acontecer na modalidade futebol, eu diria que é um dos mais importantes. Vamos ter também a seleção brasileira masculina jogando, há ainda a possibilidade de um segundo jogo do time masculino e um do feminino.

E qual a expectativa do baiano assistir aos jogos?
Se diz muito que a gente deixa tudo para a última hora, que a questão da venda pode ser incrementada quando chegar mais perto. Pela experiência com a Copa do Mundo, as pessoas pensam que os ingressos são caros. O valor das entradas para a Olimpíada estão bem menores, a partir de R$ 40, mas as pessoas não têm essa informação. Os ingressos podem ser comprados no site em dois pontos de venda físicos, na Arena Fonte Nova e no Shopping da Bahia.

Na Copa, a população pôde testar o metrô. Na Olimpíada, haverá alguma novidade no quesito transporte público?
Além do que aconteceu na Copa com relação à possibilidade de uso do metrô, também destaco o transporte expresso ligando alguns pontos da cidade com o estádio. Desta vez, temos mais conhecimento, o sistema será mais ajustado, saindo de shoppings, onde se pode estacionar os veículos com tarifa reduzida, inclusive voltado para pessoas com dificuldade de mobilidade.

O senhor foi responsável pela pasta de educação. Como o senhor avalia os impacto do evento esportivo para a formação de novos talentos entre os escolares?
Durante o ano todo se estimulou bastante a questão do esporte, tanto junto aos meninos no ensino fundamental da educação, quanto também na Diretoria Geral de Esportes e Lazer, hoje vinculada à Secretaria Municipal de Promoção Social, Esporte e Combate à Pobreza. Foi feito esse ano tudo que se fazia, dourando um pouco mais as coisas. A Copa Dente de Leite, o Campeonato Juvenil, todos eles que já vinham acontecendo e estão sendo feitos mais fortes, colocando modelos, mostrando casos de atletas baianos e brasileiros que chegaram onde chegaram porque se esforçaram, se dedicaram, chegaram no limite e saíram vencedores. O prefeito recuperou mais de 200 quadras e campos, tudo para dar oportunidade ao esporte. A gente espera que a Olimpíada deixe essa chama viva e a prática de esporte fique cada vez mais presente na escola.

Salvador sediou ações na área de saúde, como os testes rápidos para detecção de AIDS. Na Olimpíada, com o advento das arboviroses (zika e dengue), haverá algo voltado para a prevenção, tratamento e controle de doenças?
Vão ser instalados postos volantes para a realização de testes para doenças sexualmente transmissíveis, uma questão compartilhada com o estado e a Anvisa. Estado e município estão preparando informações sobre as arboviroses, orientando a postura adequada e mostrando como se prevenir.

Fonte: Correio 24h

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje