Quem ocupará o espaço de centro direita em Alagoinhas? – Maurílio Fontes

Por muito tempo no Brasil, pós ditadura militar, assumir-se  publicamente como de direita ou de centro direita era algo impensável e (in) digno no espectro do pensamento político. 

Décadas transcorridas e eis que em 2013 matizes direitistas mostram suas caras, até então escondidas, e nos anos seguintes admitem as facetas que as caracterizam como tal, sem nenhum pudor e, mais do que isso, com sede de poder e foco na presidência da República, buscando um candidato que encarnasse o ideário adormecido por longo período. 

Se não era o melhor candidato para grupos de centro direita no inicio da campanha, Jair Bolsonaro, no segundo turno, foi opção natural dos segmentos direitistas, que muito o ajudaram a lograr êxito na disputa com o petista Fernando Haddad. 

A direita mais radical, com pautas pretéritas em termos de costumes, recebeu de bom-grado o apoio decisivo para sua ascensão ao poder central. 

Como não é homogênea, tal qual ocorre no campo da esquerda, a direita precisa ser analisada mais a partir das diferenças dos que das semelhanças.

A eleição municipal de 2020 permitirá avaliação mais clara daquilo que a direita projeta para o Brasil nos próximos anos.

Embora a eleição municipal não seja marcadamente ideológica, visto que as características locais podem ter primazia, não se pode descurar dos projetos políticos que serão apresentados aos eleitores. 

A centro-direita, bem mais leve do que a direita extremada, poderá desempenhar papel importante na disputa de 2020, mas terá que demonstrar capacidade de aglutinar apoios e estabelecer alianças que equilibrem posições, aparentemente antagônicas, sem que o barco naufrague no período eleitoral pelas possíveis contradições. 

O candidato Joaquim Neto ganhou a eleição em 2016 sem explicitar posições ideológicas claras. Muito pelo contrário: o atual prefeito navegou na balbúrdia daquele momento eleitoral, muito específico, que dificilmente se repetirá em seu benefício. 

Em 2020, diferentemente de 2016, os candidatos terão que apresentar seus ideários e o que pensam sobre o Estado Local, terminologia muito usada pelo cientista político Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, cuja vida foi ceifada por razões até hoje não esclarecidas inteiramente. 

De pronto, em Alagoinhas, dois candidatos podem transitar na centro direita: Roberto Torres, presidente da Câmara de Vereadores, e o professor Fabrício Faro, ex-secretário de Educação da Prefeitura de Alagoinhas, com passagem reconhecidamente proveitosa pela pasta.

As alianças eleitorais e os programas de governo dos dois postulantes ao Executivo, que precisam ser consistentes, definirão suas chances eleitorais e a capacidade de enfrentar uma disputa que se avizinha difícil e renhida. 

O ex-prefeito Paulo Cezar, cuja marca é um certo populismo, também não será candidato indigesto à centro-direita, mas para isso precisará garantir índices de aceitação popular que o coloquem bem à frente dos concorrentes mais diretos.

A despeito de ter uma série de obstáculos à sua pretensão de voltar ao Paço Municipal, Paulo Cezar mantém a marca do prefeito que gerou empregos em suas duas administrações.

Vantagem competitiva em tempo de muitos desempregados no município. 

O prefeito Joaquim Neto não poderá ficar alheio à necessidade de se posicionar ideologicamente. 

Esquerda

No campo da esquerda, naturalmente o vereador Luciano Sérgio (PT) buscará ocupar com mais consistência os espaços necessários para torná-lo candidato viável e competitivo.

Candidatos mais à esquerda do PT poderão aparecer, mas sem chances reais em uma cidade ainda provinciana e que não vê com bons olhos pautas avançadas no campo dos costumes, joia da coroa deste segmento, defensor do estado forte e de políticas sociais condizentes com as necessidades dos mais pobres, que em Alagoinhas, em termos quantitativos, compõem porções significativas da população. 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje