Prévia do PIB avança 1,29% em janeiro e supera expectativas

Depois de um 2012 de fraca atividade e um crescimento do PIB inferior a 1%, a economia iniciou o ano com sinais positivos na esteira da melhora da indústria e superou as expectativas dos analistas de mercado.

Segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira, a economia avançou 1,29% em janeiro na comparação com dezembro (resultado com ajuste sazonal, que desconsidera efeitos de determinado período do ano).

Analistas consultados pela Reuters esperavam uma alta de 0,9% na comparação mensal em janeiro. Em dezembro, segundo o índice de atividade do Banco Central (IBC-BR), a economia havia crescido 0,26%, menos do que em novembro (0,57%).

O resultado de janeiro está em linha com o desempenho acima do esperado na produção industrial. O crescimento da atividade nas fábricas em janeiro, de 2,5% em relação a dezembro, representou a evolução mais forte na comparação mensal desde março de 2010.

O setor produtivo foi apontado como um dos principais vilões do PIB modesto do ano passado. Em meio ao alto nível de estoques, concorrência com importados e famílias endividadas, a indústria terminou 2012 com o pior desempenho (-2,6%) desde 2009.

Com estoques mais baixos e a impulsão de investimentos em infraestrutura, a expectativa é de retomada neste ano. Analistas acreditam em um avanço de 3%, capaz de conduzir o PIB para uma alta próximo a 3% também.

Embora em ritmo menor (0,6%), as vendas do varejo também contribuíram para que a atividade iniciasse 2013 em alta. Diferente da indústria, o comércio teve um ano positivo em 2012 e agora indica uma tendência de acomodação.

Apesar dos dados positivos de janeiro, analistas têm adotado posição mais conservadora sobre a afirmação de uma possível retomada da economia. A avaliação é de que é preciso aguardar uma evolução das informações da atividade nos próximos meses para saber se o quadro de recuperação se confirma.

No caminho da trajetória positiva, os riscos de inflação e a possibilidade de uma elevação na taxa de juros para mitigar os efeitos adversos nos preços pesam contra. Na ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), técnicos do Banco Central afirmaram que a alta dos preços está dispersa e resistente e sugere “cautela”.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje