Presidentes de Assembleias batem recorde de longevidade

A possibilidade de reeleição dos três presidentes que há mais tempo estão no comando das Assembleias Legislativas pode criar uma situação inédita desde 1947.

Prestes a completar dez anos à frente do Legislativo do Piauí, Themístocles Filho (PMDB) articula para chegar ao 6º mandato no principal cargo do Legislativo estadual.

Em Pernambuco e na Bahia, os deputados Guilherme Uchoa e Marcelo Nilo –ambos do PDT– farão em janeiro oito anos como presidentes de Assembleias e também costuram mais um mandato.

A última situação semelhante é do maranhense Manoel Ribeiro (PTB), que presidiu a Assembleia do seu Estado de 1993 a 2002.

A Folha fez levantamento nas 27 Assembleias. Desde 1947 nunca houve três deputados ao mesmo tempo comandando os Legislativos há mais de oito anos nem há registro de um presidente no sexto mandato seguido.

Reeleitos neste ano como deputados, Themístocles, Nilo e Uchoa ainda não anunciaram suas candidaturas, mas já angariam apoios.

“Eu ainda não me lancei candidato, não disse sim, nem digo não”, afirmou Nilo à Folha, dois dias depois de publicar no Twitter que parlamentares de dez partidos o apoiavam para a presidência.

Além de organizar a pauta de votações e a distribuição dos cargos nas comissões, os presidentes administram o orçamento das Assembleias. Só em 2013 as três Casas somadas empenharam despesas de cerca de R$ 1 bilhão.

Sempre que é questionado sobre a dificuldade de acomodar interesses dos pares, Marcelo Nilo responde com um chavão: “Sou presidente da Casa dos iguais, mas os iguais são muito diferentes”.

Themístocles atribui sua longevidade à construção de um anexo para o Legislativo e à implantação de medidas que ajudaram a divulgar os mandatos dos deputados, como a TV Assembleia-PI, transmitida em canal aberto.

Apesar de ter apoiado Zé Filho (PMDB) ao governo do Estado, ele tem se aproximado do governador eleito Wellington Dias (PT) e não diz que será oposição ao petista.

Já Uchoa era homem de confiança do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em acidente de avião em agosto, mas assumia posturas inconvenientes ao pessebista nas greves do funcionalismo. Juiz aposentado, é benquisto pelos colegas por ter bom trânsito no Judiciário.

Na Bahia, Marcelo Nilo também esteve à frente da defesa do governo Jaques Wagner (PT) nas greves de professores de 2012 e da PM em 2012 e 2014. Ele tentou lançar candidatura ao governo, mas foi preterido por Wagner em favor do chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), eleito governador.

Em Pernambuco, o deputado Raimundo Pimentel (PSB) promete entrar na Justiça para barrar a reeleição de Uchoa. Na Bahia, Rosemberg Pinto (PT) quer enfrentar Nilo. Os governadores Paulo Câmara e Rui Costa devem se manter neutros na disputa.

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje