PMDB enfrenta racha interno por vagas na Mesa do Senado

Não é apenas o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) que enfrenta resistência dentro do PMDB às vésperas da eleição da presidência do Senado. O partido, que pela proporcionalidade tem direito a três cargos na Mesa Diretora do Senado, vem enfrentando um racha interno por causa da disputa entre os parlamentares por uma das cadeiras.

Eunício largou na frente na disputa para suceder o atual presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), mas outros nomes apareceram como alternativas diante da resistência de alguns senadores ao cearense. Entre as possibilidades, se destacaram Roberto Requião (PMDB-PR) e Simone Tebet (PMDB-MS).

A EXAME.com, Requião afirmou que martelo ainda não foi batido sobre a candidatura de Eunício. O parlamentar do Paraná disse que o Senado precisa “deixar de ser dominado por um sistema montado e um grupo limitado de pessoas”.

Já Tebet não esconde de ninguém que pretende ocupar uma das vagas da legenda peemedebista na Mesa do Senado. A senadora, porém, não demonstrou preferência por nenhum dos possíveis cargos. Além da presidência, a proporcionalidade garante ao PMDB a segunda vice-presidência do Senado e um terceiro cargo ainda indefinido.

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), por sua vez, foi mais incisiva ao encontrar o presidente Michel Temer (PMDB) recentemente. Durante a reunião, a ex-petista foi objetiva ao demonstrar interesse em assumir a segunda vice-presidência da Casa.

Interlocutores de parlamentares do PMDB condenaram a postura das senadoras. Eles demonstraram irritação com a postura de Tebet, que “demonstrou que estaria satisfeita com qualquer cargo na Mesa”. Além disso, eles não esconderam insatisfação com Marta, porque a consideram “recém chegada” na sigla para pleitear um cargo de “tanto destaque”.

Os senadores Raimundo Lira (PMDB-PB) e Eduardo Braga (PMDB-AM), que estariam na disputa pela liderança da bancada do PMDB no Senado, teriam mudado suas pretensões nos últimos dias e também estariam de olho em uma das vagas da Mesa.

Mas por que ambos teriam desistido da liderança do partido na Casa? De acordo com fontes próximas a cúpula do PMDB, a decisão de Renan de assumir a liderança do PMDB no Senado embolou a disputa e mudou as pretensões dos correligionários.

Se esse panorama se confirmar, Renan e Eunício estarão apenas trocando de papéis. Alguns senadores do PMDB, que não pertencem ao grupo do alagoano e do cearense, defendem que novos nomes sejam indicados para cargos relevantes no Senado. Esse grupo, porém, não tem força para barrar o projeto político do grupo que domina o PMDB no Senado há mais de uma década.

Fonte: Exame

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje