Oposição quer investigação do desvio de recursos para programa de primeira-dama

A oposição ao governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional quer investigar o desvio de finalidade de R$ 7,5 milhões doados pela Mafrig para a compra de testes rápidos de coronavírus. Reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (1º) revelou que os recursos foram repassados para o programa Pátria Voluntária, liderado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Ainda segundo a publicação, o dinheiro doado foi repassado, sem edital de concorrência, a instituições missionárias evangélicas aliadas à ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos. As instituições teriam comprado e distribuído cestas básicas.

Parlamentares do PSOL e do PCdoB anunciaram intenção de acionar o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) para que atuem sobre a denúncia, qualificada como “gravíssima”. Os 7,5 milhões da Marfrig deveriam ser usados para compra de 100 mil kits de testes, e foram repassados por determinação da Casa Civil. O montante representa quase 70% da arrecadação do programa de Michelle Bolsonaro até então.

“Como doações feitas pela iniciativa privada ao Ministério da Saúde para a compra de testes da Covid-19 tenham sido desviadas de sua finalidade sem qualquer justificativa apresentada e sem a necessária prestação de contas à sociedade?”, questionou a líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC).

O partido deverá entrar com requerimento solicitando ao ministro Walter Braga Netto (Casa Civil) informações sobre a destinação dos recursos. Esse documento deverá embasar a representação que será ingressada no Ministério Público junto ao TCU.

O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), avaliou o repasse como “mais do que imoralidade”. “É um investimento direto na morte de milhares de pessoas. Como Jair Bolsonaro explicará isso?”, questionou.

A deputada Tabata Amaral (PDT-SP) defendeu que Bolsonaro seja investigado. O líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o desvio de finalidade dos recursos é “inaceitável”.

 

Fonte: bahia.ba

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje