Novo leilão de petróleo faz renascer interesse de estrangeiras pelo país

Depois de quase cinco anos de jejum, o governo autorizou a realização da 11ª rodada de licitação de petróleo e gás pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

A notícia agitou o mercado, tanto doméstico como internacional, que vivia em compasso de espera e de olho em uma fatia do setor.

A euforia da indústria pode ser constatada pelo número de empresas habilitadas, 64, um recorde em relação à última rodada, de 2007, que teve 61 participantes.

Além disso, esse leilão, que não envolve áreas de alto potencial, é apenas um de outros três previstos para 2013, ano que promete ser um dos mais promissores para toda a cadeia. Os outros dois vão abranger a tal famosa região do pré-sal e de gás de xisto, respectivamente.

A lista divulgada pela ANP também nos mostrou uma realidade inédita e prova que o Brasil continua no radar das companhias estrangeiras.

Das 64 empresas participantes, a maioria é internacional. São ao todo 47 oriundas de 22 países, sendo que alguns já participaram anteriormente de outros leilões no Brasil, como Espanha, Reino Unido e Canadá.

Outros países são estreantes, como Bermudas, Malásia e Panamá.

Não há dúvidas de que a realização do leilão também turbinará as operações de fusão e aquisição que vinham seguindo em ritmo lento.

Durante esse período, em que as áreas exploratórias minguaram, a única maneira de entrar no setor no Brasil era pela compra de participações em ativos já sob concessão.

Para termos uma ideia, nos primeiros três meses deste ano foram fechados quatro negócios e em todo ano passado foram apenas 19, bem longe da marca dos 37 alcançados em 2001.

Mas as boas expectativas para este ano devem atingir não apenas as empresas de exploração e produção, mas também toda cadeia de fornecedores, que vai precisar estar apta a atender às novas demandas com base nas regras de conteúdo local.

Essa realidade vai favorecer também as empresas estrangeiras, que estão entrando forte na indústria em busca de conhecimento de mercado local, visando o pré-sal.

Nesse caso, será inevitável a busca de parcerias, por meio de operações de fusão e aquisição, com empresas domésticas que atuam no mercado e contam com conhecimento local.

De qualquer forma, a realização dos leilões é uma boa notícia para a indústria e para o governo, já que podem ser arrecadados valores próximos a R$ 1 bilhão apenas em bônus de assinatura.

Após a paralisia dos últimos anos, tudo indica que o ano de 2013 é apenas o começo de uma nova era promissora para a indústria petrolífera no Brasil.

PAULO GUILHERME COIMBRA é sócio da área de Petróleo e Gás da KPMG.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje