Novas diretrizes do MS põem em risco combate de outras doenças

A publicação por parte do Ministério da Saúde das diretrizes para tratamento precoce de pacientes também com cloroquina e hidroxicloroquina para os casos da Covid-19 preocupa médicos e pacientes que usam os medicamentos para outras enfermidades.

“Meu marido sempre comprou esses medicamentos sem problemas, mas de março para cá ficou muito difícil. Ele procurou em várias farmácias e depois de muita correria conseguiu umas caixas”, disse a aposentada Anitta Holz.

O casal mora em Barreiras e o marido dela teve o diagnóstico para lúpus há cerca de dois anos. “No começo foi muito mais fácil fazer o tratamento. Agora, que estão usando para tratar esse novo vírus, os outros pacientes estão sofrendo”, reclamou.

A polêmica em torno dos produtos foi deflagrada em março, com discussões sobre a eficácia destes medicamentos no tratamento de combate aos efeitos do novo coronavírus, sendo utilizado por alguns médicos para casos mais graves.

O assunto voltou à tona com a divulgação, na quarta-feira passada, de um documento recomendando que sejam usados também com pacientes com sintomas leves, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para qualquer dos casos as drogas precisam de prescrição médica. Para uso em tratamento da Covid-19, o paciente ou responsável legal também deve assinar o termo de ciência e consentimento para uso de hidroxicloroquina e cloroquina.

Para o médico e pesquisador Lauro Gonzalez, a decisão deve ser personalizada. “Sempre com avaliação completa do quadro do paciente”, observou.

Ele acrescentou que “pacientes que já faziam uso dos medicamentos para doenças como artrite reumatoide, malária ou lúpus, por exemplo, têm relatado dificuldade para encontrar no mercado”, salientou.

De acordo com o Ministério de Saúde, a produção de cloroquina foi reforçada no país e intensificada a busca pelo princípio ativo da hidroxicloroquina fora do Brasil. Outra providência relatada foi a aquisição de três milhões de comprimidos da Fiocruz e a produção de um milhão de comprimidos pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército. As prefeituras procuradas pela reportagem apontaram que a distribuição destes medicamentos é responsabilidade do estado.

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) garante o acesso gratuito à droga “para todos os pacientes com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, lúpus cutâneo, artrite reumatoide, dermatomiosite e polimiosite, mesmo que não estejam cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS)”.

De acordo com o titular da pasta, Fábio Vilas-Boas, “a medida visa garantir o tratamento de modo integral para todos os baianos, tendo em vista a dificuldade em adquirir o medicamento nas farmácias”. Quem precisa da substância pode encontrar as orientações no portal da Sesab.

 

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje