Não é só futebol. É muito mais: É a paixão de um povo pelo Alagoinhas Atlético Clube – Maurílio Fontes

Não é só futebol. É muito mais. É a alma de um povo que se revela nas vitórias e também nas derrotas, sempre sofridas, mas que não desanimam os verdadeiros torcedores do Alagoinhas Atlético Clube, o Carcará, de grandes e memoráveis jornadas no Carneirão. 

Desde 1975, levado ao estádio por meu pai (José de Lima Fontes), assisti a grandes  jogos do AAC e em minhas retinas ainda estão intactas a velocidade de Caroço, a força de Hélio na lateral direita, as antecipações de Silva na zaga, a classe de Luciano, meio-campista hábil com a perna esquerda, cujos lançamentos milimétricos transformavam as partidas em obra de arte, só possível pela graça dos deuses do futebol, tão citados por Nelson Rodrigues.

Não sendo um historiador do futebol, mas apenas um admirador do esporte bretão, cometi nas linhas acimas centenas de omissões ao não citar tantos atletas que fizeram do Carcará referência no futebol da Bahia. 

Sob pena de cometer outro deslize, mas com objetivo de reconhecer a importância da torcida atleticana, cito Gilberto Araújo, um dos símbolos da paixão clubística.

A história do Atlético, a ser contada por pessoas mais qualificadas do que este articulista, só cabe em um livro e não em artigo tão sintético.

A linha do tempo nos coloca neste dia 15 de maio, que antecede a uma das mais importantes jornadas do Carcará, que mesmo antes da bola rolar é inédita e já entrou para os anais do futebol estadual: a disputa de clubes do interior em duas partidas (amanhã em Alagoinhas e no próximo domingo em Feira de Santana) que definirão o campeão baiano de 2021. 

A recente história do AAC, com vitórias e exposição midiática positiva, ao disputar semifinais e finais do campeonato baiano nos últimos anos, tem a ver com as vitórias eleitorais do prefeito Joaquim Neto em 2016 e 2020, que aproximaram o poder público da diretoria, ao contrário de um passado em que o Caracará esteve jogado à própria sorte, sem apoio institucional de administrações municipais que não avaliavam o futebol como relevante para cidade. 

O poder mobilizador do chefe do Executivo, quando colocado a serviço do AAC, tem o condão de atrair apoiadores, vitais em qualquer situação, ainda mais nestes dois anos de pandemia, com receitas comprimidas e a impossibilidade de arrecadação pela venda de ingressos. 

A reforma do Carneirão, completamente esquecida pelo antecessor do prefeito Joaquim Neto, que se tornou realidade a partir de 2017,  é um dos marcos desta nova fase do Carcará. 

A atual diretoria, capitaneada por Albino Leite, e o ex-presidente Raimundo Queiroz merecem reconhecimento em função do esforço para organizar administrativamente o AAC.

Sem isso, certamente, os resultados nas quatro linhas não teriam sido alcançados. 

Menos de 24 horas nos separam do apito que dará início à primeira partida da decisão.

Agora, é torcer para que a tarde do domingo seja de glória para o Alagoinhas Atlético Clube e entre para a história como uma jornada inesquecível.  

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje