Na Câmara dos Deputados, base aliada já entra em atrito por comando da Mesa

Os dois principais candidatos à presidência da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deram ontem início a uma troca de acusações que deve dar o tom da campanha neste mês de janeiro. A eleição vai ocorrer no dia 1.º de fevereiro.

O petista deu início ao embate durante almoço de apoio à sua candidatura. Ao lado de deputados do PT, PROS, PC do B, PR e PP, disse que o peemedebista “desqualifica” seus pares. “Falar que a Câmara tem que ser altiva é admitir, no limite e pelo inverso, que quem diz isso acha que a Câmara não é altiva. Deveria dizer quem é que na Câmara não honra o mandato. Eu nunca vi alguém querer ganhar uma eleição desqualificando os seus pares”, afirmou Chinaglia, que já presidiu a Câmara no biênio 2007-2008.

Em campanha pelo País, Cunha tem defendido a “independência” e a “altivez” da Câmara em relação ao Executivo, discurso que Chinaglia condenou. “É só pesquisar as medidas provisórias para ver onde é que essa altivez acaba. Nós queremos um Parlamento que tenha de fato a independência para atender ao povo brasileiro. Não é apenas para a gente fazer um discurso que acaba no dia seguinte da eleição, basta chegar a algum tipo de acordo.”

Citando frase atribuída ao deputado Júlio Delgado (PSB-MG), outro adversário na disputa pelo comando da Casa, Chinaglia criticou o líder do PMDB. “Não é independente quem indica cargo no governo. Eu, então, estou me sentindo independente. Quem quiser pesquisar os cargos que eu tenho no governo pode levar para casa. Mas eu não posso dizer que todos que se candidatam podem falar o que eu estou falando.” 

‘Submissão’

Cunha reagiu com indignação ao discurso de seu adversário. Confrontado com as declarações, contra-atacou: “Eu não tenho filho no Cade. Nunca tive”, afirmou, referindo-se ao advogado Olavo Chinaglia, indicado em 2008 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, onde atuou até 2012. 

Ele voltou a afirmar ainda que Chinaglia é o candidato de “submissão” ao governo. “Tem que perguntar o seguinte: se o Chinaglia presidente da Câmara iria por para votar o decreto legislativo para derrubar o decreto dos conselhos populares. Ele colocaria para votar o Orçamento Impositivo? É isso que ele tem que responder”, disse. 

Visto pelo Palácio do Planalto como adversário, Cunha tem dito que é “independente” e acusa a candidatura petista de ser submissa ao governo central. Além disso, tem repetido que a Câmara não aceita uma candidatura petista, pois o partido já comanda o Executivo. 

Nas contas do PT, Chinaglia conta até agora com apoio de aproximadamente 100 deputados federais. O partido espera a adesão de cerca de 40 nomes de siglas como PDT e PRB e outros 100 nomes de partidos como PR, PSD, PP, PHN, PHS e PTN. A partir da semana que vem, Chinaglia começará a percorrer o País em campanha. Os primeiros Estados que pretende visitar são Rio, Piauí, Ceará e Bahia.

Cunha, porém, é considerado favorito. Calcula partir de um apoio de mais de 150 deputados.

Fonte: O Estado de São Paulo

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje