Milionários da poupança mais que dobram em cinco anos

O número de cadernetas poupança com mais de R$ 1 milhão mais que dobrou nos últimos cinco anos até 2012, segundo os dados mais atualizados do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Essas contas passaram de 3.822 em 2008 para 8.556 ao final do ano passado.

Apesar de ser um investimento considerado seguro e fácil e de oferecer isenção de Imposto de Renda, a poupança não é recomendável como aplicação de longo prazo, afirmam especialistas, por perder para outras opções.

O quadro abaixo compara a caderneta com alternativas de renda fixa por um ano (curto prazo) e cinco anos (longo prazo) -os cálculos não descontam a inflação, ou seja, o rendimento é nominal.

“Alguém que vendeu um imóvel e recebeu uma quantia alta, de R$ 1 milhão, e pretende utilizar esse valor em breve para comprar um novo imóvel, pode deixá-lo na poupança”, exemplifica Mauro Calil, educador financeiro da Academia do Dinheiro.

A análise dos especialistas vale tanto para a poupança que segue as novas regras (em que a valorização pode mudar de acordo com a taxa de juros básica, a Selic) quanto para a caderneta antiga.

Pelas regras atuais, depósitos feitos na caderneta a partir de 4 de maio de 2012 rendem 70% do juro básico (taxa Selic) mais TR (Taxa Referencial) sempre que a Selic for menor ou igual a 8,5% ao ano. Já as aplicações anteriores a essa data rendem 0,5% ao mês mais TR.

Na avaliação de Marcia Dessen, planejadora financeira e colunista da Folha, para quantias acima de R$ 1 milhão, é relativamente fácil encontrar opções melhores que a poupança.

“Quem tem R$ 1 milhão certamente vai conseguir uma rentabilidade maior em outros investimentos. Poderia, por exemplo, aplicar em em LFTs (Letras Financeiras do Tesouro). Iria pagar IR e taxa de corretagem, mas, mesmo assim, colocaria mais dinheiro no bolso”, afirma.

Vale destacar também que, em fundos de investimento, os custos cobrados de quem aplica grandes quantias, como a taxa de administração, costumam ser menores que nos produtos destinados ao pequeno investidor. E, com custos menores, o rendimento passa a ser maior.

COMODIDADE

Para Dessen, o que pesa na hora de o investidor escolher a caderneta de poupança –mesmo sabendo que seu rendimento poderia ser um pouco maior em outras aplicações– é a comodidade.

“Ele se sente mais seguro na poupança, pela simplicidade operacional”, diz. “Além disso, a caderneta é um investimento de elevada liquidez –ou seja, o investidor consegue resgatar o dinheiro a qualquer momento, sem custo e sem cobrança de Imposto de Renda”, acrescenta a especialista.

Em relação à segurança da caderneta, porém, o investidor precisa estar atento ao fato de que o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) só cobre depósitos de no máximo R$ 250 mil por CPF e por instituição, no caso de quebra do banco em que o dinheiro está depositado. Ou seja, seria preciso abrir quatro contas em bancos diferentes, com R$ 250 mil em cada uma.

A garantia, no entanto, vale também para CDBs, LCIs e LCAs.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje