Mercado eleva expectativa de inflação para 2013 pela sexta semana seguida

Os analistas de mercado elevaram sua expectativa para a inflação em 2013 pela sexta semana consecutiva, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central, que apura projeções junto a cerca de cem instituições e foi divulgado nesta quarta-feira.

A mediana das projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano subiu de 5,68% para 5,71%. Para 2014, a projeção seguiu em 5,50%. A mediana para o IPCA 12 meses subiu de 5,47% para 5,49%, após cair por duas semanas consecutivas.

O ajuste nas apostas ocorre depois que o IPCA marcou alta de 0,86% em janeiro, maior leitura para o mês desde 2003, conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira passada. Em 12 meses, a inflação acumula alta de 6,15%.

Logo após a divulgação do número, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a inflação preocupa no curto prazo e que o BC está avaliando tudo, o que foi interpretado como uma sinalização de que o aumento dos juros neste ano estaria entre as alternativas para autoridade monetária para combater a inflação.

Tombini afirmou que a comunicação da última ata do BC não foi alterada, referindo-se à menção de que o juro deve seguir inalterado por tempo prolongado.

O IPCA de janeiro não subiu mais graças à queda de 3,91% no preço da energia elétrica residencial, que tirou 0,13 ponto percentual do IPCA, assim como ao adiamento do aumento das passagens de ônibus em São Paulo e no Rio de Janeiro.

De acordo com o IBGE, 75% do impacto da queda dos preços da energia elétrica virão na inflação de fevereiro. As contas de luz ficaram mais baratas em 24 de janeiro.

No Focus, a projeção para o IPCA em fevereiro saiu de 0,40% para 0,41%. O mercado também ajustou suas projeções para os preços administrados em 2013, que passaram de alta de 3,25% para 3,33%.

Apesar da expectativa de mais pressão no índice de preços, os analistas ainda projetam que a taxa básica de juros Selic terminará o ano no nível atual, 7,25%, para depois subir em 2014, chegando ao final do próximo ano em 8,25%.

Para o câmbio, que muitos veem como o instrumento pelo qual a inflação será combatida, a previsão do mercado caiu de R$ 2,05 para R$ 2,03 ao fim de 2013. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo não permitirá que a moeda recue a R$ 1,85.

CRESCIMENTO

No boletim desta semana, os analistas também voltaram ajustar perspectiva sobre a intensidade da recuperação da atividade econômica. A previsão de crescimento do PIB foi reduzida de 3,10% para 3,09%.

Para 2014, contudo, a expectativa foi elevada pela terceira semana consecutiva e agora está em 3,8% de avanço.

Fonte: Folha de São Paulo

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje