Meirelles diz que é ‘possível’ cortar R$ 30 bilhões de despesas

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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, evitou anunciar qualquer medida, mas afirmou que o presidente em exercício, Michel Temer, colocou corretamente a possibilidade de cortar R$ 30 bilhões do orçamento. “É possível, mas eu não estou anunciando essa medida, nós não estamos descartando nada”, afirmou durante conversa com alguns jornalistas na manhã desta quarta-feira.

Tecendo elogios a Temer, Meirelles afirmou que o presidente é sempre “muito preciso no que coloca e no que pode ser adotado”, mas lembrou que sua equipe chegou há pouco ao governo e que ainda não teve tempo de tomar as decisões. “O Mansueto (secretário de acompanhamento econômico) começou a trabalhar ontem, estava procurando sala. O Carlos Hamilton (secretário de política econômica), apesar de estar me ajudando, começou a trabalhar ontem. Todos estão trabalhando intensamente”, disse.

Segundo o ministro, a nova meta fiscal para este ano só será divulgada no início da próxima semana. Meirelles afirmou que os dados que serão anunciados na sexta-feira durante o relatório bimestral de receitas e despesas ainda estão muito vinculados à meta atual e que, só no início da próxima semana, ele irá anunciar uma estimativa levando em conta todas as hipóteses atuais. “Vamos revisar e apresentar um número final do início da semana”, afirmou.

O governo tem até o dia 30 de maio para realizar a mudança da meta fiscal. Enquanto isso, o novo dirigente da Fazenda tem evitado anunciar números e ressaltou, por diversas vezes, que é preciso ser criterioso com os cálculos para que os números não precisem ser revisados como acontecia em gestões anteriores.

Entre os dados que estão sendo revistos pela nova equipe econômica, Meirelles lembrou da arrecadação que o governo terá com a repatriação de recursos de brasileiros no exterior. De acordo com o ministro, neste caso, assim como em outros, existe uma estimativa que está sendo revista.

Na avaliação do novo dirigente da Fazenda, uma revisão de programas sociais, como o presidente em exercício, Michel Temer, afirmou que o governo faria, não é imediata e sim um processo que demanda tempo. “Vamos fazer estimativas o mais realista possível de qual é a realidade”, destacou.

Meirelles previu um prazo de até quatro anos para a trajetória de alta da dívida pública se estabilizar. “Um horizonte de estabilização da dívida de dois, três, quatro anos é razoável, dependendo da velocidade da estabilização”, afirmou. Ele advertiu que a dívida em “poucos anos” pode atingir patamares insustentáveis. Trajetória que, segundo ele, precisa se revertida. “Quanto mais rápido melhor” afirmou. Ele ponderou que essa melhora ocorrerá no próximo governo, mas é preciso tomar as medidas de longo prazo agora. “Estamos falando de medidas que terão efeitos em vários governos, mas medidas têm que ser tomadas agora”, disse.

Fonte: O Estado de São Paulo

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje