Marcelo Nilo renuncia e salva Rui Costa de derrota

A decisão de Marcelo Nilo (PSL) ao renunciar à candidatura para a presidência da Assembleia Legislativa impediu uma derrota pessoal dele próprio, mas, ao mesmo tempo, salvou o governador Rui Costa (PT), aos 49 minutos do segundo tempo, de sofrer uma derrota para as forças políticas do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

A decisão significa, ainda, o fim de uma era de 10 anos no  Legislativo Estadual, o que não é pouco. Apesar de ter um perfil que lembra Clint Eastwood em filmes de western – prefere morrer atirando do que se entregar –, recuou em nome do governo.

Foi lembrando a trajetória que ele retirou a candidatura, em nota oficial. Sem citar o governo diretamente, saudou “os companheiros” com “a mais profunda gratidão”.

Defecções – A articulação governista que resultou na renúncia de Nilo ontem à noite unificou a base de Rui no último momento, quando a oposição já havia tomado para si a candidatura de Ângelo Coronel (PSD).

Fato é que foram defecções da própria base do governo – como a traição do PCdoB – que inviabilizaram a reeleição dele. Reinaldo Braga e Nelson Leal, do partido do próprio Marcelo Nilo, também mudaram de lado durante a tarde. Daí, um placar de 38 a 23 desenhava-se a favor de Coronel.

Só o PT se manteve fiel ao “marcelismo” até o final, correndo o risco de ficar fora da Mesa Diretora. Mas bastou Nilo desistir para que a sigla começasse a buscar espaço.

Voz da unidade – Já com o jogo encerrado, Rui usou o Facebook para mandar recados e acalmar ânimos. Disse que ligou para Coronel parabenizando ele pela eleição que se concretiza hoje e elogiou Nilo pelo “posicionamento firme e corajoso de renunciar em nome da unidade política”.

“Me coloco à disposição para a Lava Jato”
Edson Fachin, ministro do STF

Cheiro de poder

O que se viu ontem à tarde na ALBA foi uma peregrinação de Coronel em gabinetes e traições de deputados que até semana passada almoçavam com Nilo, a exemplo de Reinaldo Braga (PSL) e Jânio Natal (PTN).

Político é uma espécie de ser cuja característica é o frio pragmatismo: o que está em jogo nesse momento são espaços na Casa e estrutura para as eleições de 2018.

O clima de virada e o “cheiro de poder”, como disse um dos deputados estaduais, começou a exalar  ao lado de Coronel após a oposição sinalizar que declararia apoio a ele. Ninguém quer perder cargos na Mesa, nas comissões e sub-comissões ou indicações de Redas e superintendências na Casa. O negócio é atender suas bases eleitorais.

Ecos da renúncia

Diante da possibilidade de uma derrota para Neto, o governo ficou acuado, apesar de ter três candidatos da base. Retirou-se do jogo. Coronel cresceu e a gota d’água foi a defecção do PCdoB, no início da noite – até então, fiel aliado de Marcelo.

O fato é que o processo de 2018 foi antecipado com as eleições na Assembleia. E, mesmo com a decisão da retirada de candidatura de Nilo, e consequente blindagem de Rui Costa, Neto demonstrou força.

Terceira via – O cacique do PSD Otto Alencar é quem também sai forte desse processo. Agora, além das secretarias de Infraestrutura (Seinfra) e Desenvolvimento Urbano (Sedur) no governo do estado, tem a UPB e a Assembleia Legislativa. É uma terceira via, não dá para negar.

 Promessas

Coronel já prometeu que uma de suas prioridades será acabar com a reeleição. Provocado pela coluna, disse que só vai demitir Redas se houver excesso na Casa. Deixaria de reajustar a verba de gabinete?

–  Toda verba de gabinete aqui é efeito cascata dos deputados federais. Tudo o que acontecer aqui nessa Casa terá consultas, antes, à Mesa Diretora e às bancadas. Se decidirem, não terei nenhum problema de tomar medidas contrárias à opinião pública, contanto que sejam referendadas por todos os deputados da Casa.

Qualquer semelhança com o que está aí é mera coincidência.

Fonte: Coluna Tempo Presente/A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje