Inflação entre janeiro e março é incompatível com teto da meta para 2013

Apesar da desaceleração em março, a inflação acumulada no primeiro trimestre é incompatível com o cumprimento do teto da meta do governo para o ano (6,5%). O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado entre janeiro e março, 1,94%, chegaria a uma alta em torno de 7,8% se anualizado.

Uma freada no reajuste dos preços –especialmente de alimentos–, no entanto, é esperada, e ganhos menores de rendimento –o salário mínimo subiu menos neste ano– também devem ajudar a moderar o consumo, preveem analistas.

No primeiro trimestre, o grupo alimentação foi o grande vilão da inflação, com alta acumulada de 4,64%. Destacaram-se os aumentos de produtos como tomate (60,90%), feijão carioca (22,85%), cebola (54,88%), farinha de mandioca (35,18%) e hortaliças (20,71%).

A alta de 6,37% do grupo educação no trimestre também pesou negativamente e não se repetirá no decorrer do ano, já que os reajustes de mensalidades são anuais e incorporados no IPCA de fevereiro.

O grupo habitação foi a principal “âncora” da inflação de janeiro a março, quando registrou queda de 2,08% graças à redução de 18% nas tarifas de energia –medida antecipada pelo governo a fim de segurar a inflação.

Com a postergação de aumentos de ônibus no Rio e em São Paulo articulado pelo governo federal, o grupo transportes subiu 1,48% no trimestre, valor abaixo do ano anterior.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE, a principal influência no IPCA acumulado deste ano foi dos alimentos, em decorrência do clima desfavorável no Brasil (seca no Nordeste e chuvas em excesso no Sudeste) e em grandes produtores como Estados Unidos e Argentina.

Nunes dos Santos ressalta, porém, que muitos produtos já mostraram desaceleração em março –embora persista uma “tendência de alta generalizada dos alimentos”.

CESTA BÁSICA

A coordenadora do IBGE disse que não é possível notar ainda com clareza o impacto da desoneração da básica no IPCA de março. Ela ressalta que a medida passou a valer em 8 de março, quando a coleta dos preços já havia sido iniciada. “Sempre existem também estoques. O impacto não é imediato.”

Alguns itens, porém, ou subiram menos ou mostraram queda. Entre os desonerados, destacam-se a retração do açúcar cristal (-1,91%), arroz (-1,68%), carnes (-1,63%), óleo de soja (-1,53%) e açúcar refinado (-1,06%).

“Esses produtos já estavam em queda. Não há dúvida que a retirada de tributos gera um redução do preço, mas não é possível ainda mensurar claramente. Existem outros fatores como as safras maiores de arroz, açúcar e soja neste ano, que ampliam a oferta”, disse.

SERVIÇOS

Diante do mercado de trabalho favorável, os serviços foram outro foco de pressão sobre o IPCA, com alta de 2,50% no primeiro trimestre –acima da inflação do período (1,94%).

Os destaques foram alimentação fora de casa (2,87%), aluguel residencial (4,20%) e empregado doméstico (3,27%). “Não há ainda reflexo das mudanças da PEC das domésticas [que ampliou direitos e benefícios da categoria]. A alta é reflexo do fato da menor oferta desses trabalhadores e do aumento do salário mínimo.”

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje