Cúpula do PSDB nos Estados rejeita prévias e apoia Aécio

O atual cenário político interno no PSDB não respalda, nem remotamente, a pretensão declarada pelo ex-governador de São Paulo José Serra de disputar com o senador e presidente tucano, Aécio Neves (MG), o posto de candidato do partido à Presidência nas próximas eleições.

A Folha conversou nos últimos dias com 23 dos 27 presidentes de diretórios estaduais do PSDB.

Nenhum disse considerar Serra o melhor candidato para o partido, e apenas o deputado federal Duarte Nogueira, que dirige a seção paulista da sigla, defendeu claramente a necessidade de realização de prévias no partido para essa definição.

Eduardo Jorge Caldas Pereira, do diretório do DF, e Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro e um dos mais próximos aliados de Aécio, optaram por não responder. Eles entendem que o debate de prévias “inexiste” no partido e defendem o nome do mineiro como consolidado na corrida pelo Planalto.

TABU

O sistema nunca foi adotado entre os tucanos, embora tenha sido defendido justamente por Aécio em 2009 –sem sucesso, assim como acabou derrotada a candidatura Serra na eleição presidencial do ano seguinte.

“As prévias só dividem o partido”, diz o ex-senador Expedito Júnior, presidente do diretório de Rondônia.

Outros três (Bahia, Pará e Paraíba) consideram a realização de prévias apenas na hipótese de Serra lançar formalmente sua postulação à condição de pré-candidato — o que ainda não aconteceu.

Serra continua em tratativas com o PPS como plano B para o que seria sua terceira corrida presidencial –ele disputou o cargo em 2002 e 2010.

A interlocutores, Aécio descarta as prévias, embora as admita em público para não melindrar Serra, dando a ele expediente para deixar a legenda.

Diante do aceno, Serra cobrou “igualdade de condições”, o que eventualmente implicaria a saída do senador da presidência do PSDB.

Sobre essa possibilidade, Marcus Pestana (MG) chegou a se irritar. “Isso é uma mistura de miopia política com autismo político”, disse.

Antecessor de Aécio na presidência do partido, o deputado federal Sérgio Guerra, do diretório pernambucano, foi na mesma linha.

“Um (Aécio) já é candidato de todo o partido. O outro é candidato de nenhum. Como é que vai ter condições iguais?”, afirma Guerra.

O que serristas desejam é uma ampliação do colégio eleitoral da disputa, com a hipótese de consulta a toda a base de filiados.

AMPULHETA

A decisão de Serra sobre sua permanência no PSDB precisa ser tomada até outubro, prazo legal para que mude de partido a tempo de disputar as eleições.

Na consulta aos presidentes de diretórios tucanos, o que se ouviu foi uma valorização do papel já desempenhado por Serra, mas, ao mesmo tempo, um incômodo com o surgimento do debate.

“O Serra tem que entender que o partido precisa desse novo momento”, diz o deputado Nilson Leitão, presidente do diretório de Mato Grosso. “O PSDB precisa ter candidato na rua ontem. Não podemos mais brincar com isso dentro do partido.”

“Respeito muito o Serra, ele tem uma belíssima história, mas a fila anda”, resumiu Artur Bisneto, presidente do PSDB do Amazonas.

“Falando no campo das hipóteses, e se houver uma prévia e o Serra sai arrasado, com 10% dos votos? Ninguém deseja isso, eu não desejo, o Aécio não deseja”, diz o deputado federal Luiz Carlos, do Amapá.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje