Crédito cresceu, mas ritmo é o menor em seis anos, estima Febraban

Sondagem feita pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), com as maiores instituições do país, indica que o crédito deve ter registrado, em 2013, a menor taxa de crescimento em seis anos.

Segundo previsão dos bancos, o saldo de crédito deve ter crescido 14,4% no ano passado. Em 2012, a expansão havia sido de 16,4%.

O volume de empréstimos tem registrado desaceleração desde 2010, quando obteve alta de 20,6%. O dado oficial, do Banco Central, será divulgado na quarta-feira (29).

Em 2007, o BC alterou a metodologia da sua pesquisa mensal de crédito e iniciou nova série histórica, impossibilitando comparações mais longas.

Embora menor, o ritmo de crescimento do crédito ainda é bastante superior ao do aumento dos salários.

Em termos reais (já descontada a inflação), a expansão é de 8%. Já a renda real habitualmente recebida pelo trabalhador, calculada pelo IBGE, cresceu 3,2% até novembro.

Segundo Wermeson França, economista da consultoria LCA, o crédito teve um desempenho “bem abaixo do dos últimos anos”, com os bancos sendo mais seletivos na hora de emprestar.

Na sua estimativa, os empréstimos para a compra de automóveis, por exemplo, devem ter recuado quase 5% no ano passado.

“A inadimplência havia subido muito em 2012 e os bancos precisavam melhorar a qualidade de suas carteiras de crédito”, afirma.

A inadimplência, contudo, recuou no ano passado e deve ter encerrado 2013 abaixo do patamar de 2012. Em novembro, estava em 6,7% para pessoas físicas. Em 2012, chegou a 8%.

Também contribuiu para a desaceleração do crédito o aumento da taxa básica de juros (Selic), que passou a subir a partir de abril para conter a alta da inflação.

A desaceleração do crédito ocorreu com mais intensidade entre as empresas, segundo expectativa dos bancos ouvidos pela Febraban.

Na sua estimativa, o volume de empréstimos com recursos livres recuou de uma expansão de 17% em 2012 para 8,6% no ano passado.

Já entre consumidores, a desaceleração foi menor: saiu de um crescimento de 10,2% em 2012 para 7,6% no ano passado.

A Febraban estima que o saldo de crédito na economia deve ter alcançado 56,6% do PIB.

Para este ano, a projeção de França é de um crescimento de 14% do saldo de crédito, o que na sua avaliação pode ser considerado “um ritmo ainda moderado” e ainda abaixo do registrado em 2013.

Ele estima que o crédito direcionado tende a arrefecer, com menos empréstimos do BNDES. O governo informou que reduzirá os repasses para o banco, para melhorar as contas públicas. Na prática, isso indica que o banco estatal deverá ter menos recursos disponíveis para emprestar.

Além disso, observa, o crescimento da economia deve ser parecido com o deste ano.

“É difícil repetir taxas de crescimento do crédito como as de 2010. Isso foi possibilitado pelo aumento do consumo e pela ascensão da classe média. Não há mais 40 milhões de pessoas para sair da pobreza, então devemos assistir a taxas mais normais”, afirmou o economista.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje