Campos diz que crítica ao Planalto não pode ser vista com ‘intolerância’

Potencial candidato ao Palácio do Planalto no ano que vem, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) disse nesta segunda-feira (18) no Recife que suas recentes críticas ao governo federal não podem ser tratadas com “intolerância” nem serem vistas como um “incômodo”.

“O PSB renunciou a uma candidatura no primeiro turno [2010] para ajudar o governo. Em todas as votações no Congresso Nacional o PSB foi quem mais ajudou, sobretudo em questões políticas. Agora, precisamos discutir o Brasil. Isso não pode ser um incômodo, nem tratado com intolerância”, disse, após evento oficial do governo do Estado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em oito de março.

Saudado com gritos de “Brasil para frente, Eduardo presidente” pelas mulheres que lotaram um auditório com capacidade para 2.000 pessoas, Campos voltou a afirmar que só tratará de candidatura presidencial em 2014.

Admitiu, porém, que tem tido “mais telefonemas para retornar” e mais convites para falar sobre sua visão do país.

“Tem crescido muito o interesse por Pernambuco, o interesse de conhecer o que está sendo feito aqui. Estamos encarando isso com compromisso e responsabilidade. O tempo das definições [de candidaturas] ainda vai chegar. Por ora, estou fazendo o debate além do eleitoral.”

O governador pernambucano disse não guardar “temor” sobre uma possível perda de espaço do PSB na Esplanada dos Ministérios, diante de sua movimentação eleitoral. Segundo ele, a presidente Dilma tem a consciência da contribuição que o PSB tem dado ao seu governo, citando as votações do Código Florestal e da prorrogação da DRU (Desvinculação de Receita da União).

Após a entrevista, em discurso, atacou aquilo que chamou de “velhas lideranças carcomidas” da política nacional.

“Os gestores públicos têm de ter um olhar diferente. Não é com as velhas lideranças políticas carcomidas, que nunca assumiram o compromisso de romper devidamente com as deformações da máquina pública que faremos isso. Nosso governo tem procurado dar o exemplo e se revelado uma experiência bem sucedida até fora do país.”

Assessores do governador entenderam essa declaração como uma crítica indireta à recente reforma ministerial de Dilma, que privilegiou o PMDB e o PDT, de Carlos Lupi.

Além do evento em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o governador assinou no Recife o início das obras de um túnel (orçado em R$ 16 milhões), um dos braços de um corredor viário que liga as regiões leste-oeste da cidade e que o socialista promete concluir em janeiro de 2014, início do ano de sua sucessão.

Fonte: Folha de São Paulo

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje