Cai empréstimo para compra de veículos em janeiro e consignado dispara

Vedetes do mercado de crédito para pessoas físicas nos últimos anos, os empréstimos para compra de automóveis e aquisição de bens começaram 2013 em baixa.

As concessões em janeiro caíram 8,3% e 19,6%, respectivamente, quando comparado ao final do ano passado.

Na mesma direção foram as compras com cartão de crédito para pagamento à vista (queda de 11,3% no mês).

Em compensação, a modalidade de crédito consignado disparou. A alta de 32,9% nas concessões do mês comparativamente a dezembro último foi puxada pelos aposentados do INSS, que registraram incremento de 57%.

A liberação de dinheiro nessa modalidade de crédito também foi maior para os trabalhadores do setor privado (alta de 38,6% no mês) e da área pública (22,3%).

Para o chefe do Departamento do Banco Central, Túlio Maciel, a alta no consignado está vinculada ao fato de janeiro ser um período de gastos das famílias com material escolar e pagamento de impostos, após as despesas das festas de fim de ano.

No entanto, o desembolso de R$ 11,3 bilhões no mês passado em empréstimos consignados representa alta de 30,5% em relação a janeiro de 2012, quando o orçamento das famílias sofreu influência dos mesmos gastos.

Já a queda na liberação de crédito para compra de veículo no mês passado é atribuída pelo BC ao fato de os descontos de impostos concedidos pelo governo terem sido reduzidos.
“Esse foi o primeiro mês de redução do desconto do IPI (Imposto sobre produto industrializado)”, destacou Maciel.

CHEQUE ESPECIAL

Ao mesmo tempo em que recorreram ao consignado, modalidade que costuma ter menor custo, as famílias brasileiras também aumentaram o uso do cheque especial. Umas das alternativas de crédito mais cara do mercado teve alta de 4,4% nos desembolsos do mês. A liberação de recursos nessa modalidade somou R$ 26,1 bilhões.

Outra opção cara para empréstimos, o cartão de crédito apresentou queda de cerca de R$ 6 bilhões nas concessões do mês para compras com pagamento à vista. Já para as parceladas e para crédito rotativo, que são mais caras, apresentaram elevação moderada.

RENEGOCIAÇÕES

As renegociações de dívidas dentro de uma mesma instituição financeira também estão em baixa neste início de ano. Apesar de a inadimplência continuar elevada. Em janeiro o volume de recursos liberado pelos bancos às pessoas físicas por conta de renegociação de dívida foi de R$ 2,5 bilhões, valor 3,9% menor do que em dezembro.

SALDO

Em janeiro, o total de crédito concedido pelos bancos às empresas e pessoas físicas somou R$ 2,367 trilhões, praticamente estável em relação a dezembro. O valor equivale a 53,2% da produção nacional medida pelo PIB e é menor do que os 53,6% verificados em dezembro último.

Tanto bancos públicos quanto privados começaram 2013 com variação pequena no saldo das carteiras de crédito. Enquanto as instituições oficias, entre elas Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, elevaram em apenas 0,5% o estoque de empréstimos concedidos, os bancos privados nacionais registraram queda de 0,1%. Os privados estrangeiros, porém, registraram recuo de 1,2% no estoque de crédito no mês passado. Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje