Buscas do Google podem prever sobe e desce de ações, diz estudo

Buscas de termos financeiros conduzidas no Google por milhões de pessoas podem ser usadas para prever em que direção se movimentará o mercado de ações. É o que aponta uma análise de comportamento de serviços de buscas que estudou resultados referentes a uma década.

A pesquisa, conduzida por um grupo de estudiosos britânicos e norte-americanos, é a mais recente tentativa de minerar o comportamento online das massas em busca de pistas sobre o futuro movimento dos mercados financeiros.

As constatações parecem demonstrar que as pessoas realizam mais buscas usando termos como “ações”, “carteira de investimento” e “economia” quando estão preocupadas com a situação dos mercados, diz Tobias Preis, professor associado de ciência comportamental e finanças na Warwick Business School.

Como resultado, a alta no número de buscas com termos financeiros em geral é seguida por quedas nas Bolsas de valores, porque vendas de ações geram queda de preços por algumas semanas, de acordo com a pesquisa, publicada pela revista “Scientific Records”.

Em contraste, uma queda no número de pesquisas com palavras-chaves relacionadas às finanças indica maior otimismo entre os investidores, conduzindo a uma alta do mercado.

Em retrospecto, transações financeiras baseadas no volume de buscas de certos termos financeiros no Google teriam propiciado retornos significativos sobre o investimento, segundo Preis. Uma estratégia financeira de curto prazo construída em torno da alta ou baixa no número de buscas contendo a palavra “dívida”, por exemplo, teria apresentado retorno de 326% entre 2004 e 2001, ante apenas 16% de lucro para um investidor que detivesse uma carteira média de ações do mercado no período.

O Google divulga dados a cada semana mostrando o número de buscas de certas palavras-chave, o que serve de matéria-prima para a análise. A crescente disponibilidade de grandes conjuntos de dados como esse deu origem a uma sucessão de tentativas de previsão dos mercados financeiros tendo por base serviços de “big data”, ou seja, de processamento analítico de grandes conjuntos de dados, ainda que até agora não tenham surgido provas sérias de que esses esforços propiciem lucros no mundo “real”.

Boa parte dessas experiências envolvia tentar deduzir os sentimentos dos mercados tendo por base os comentários das redes sociais. No entanto, um fundo de hedge criado para operar com base em informações sobre o sentimento dos mercados revelados em posts do Twitter encerrou suas atividades depois de apenas um mês.

Preis alertou que as constatações baseadas nas pesquisas de seu grupo podem não ser confirmadas por futuros movimentos nos mercados de ações. A revelação do valor preditivo de dados como o número de buscas por determinados termos pode mudar o comportamento das pessoas e neutralizar o efeito revelado pela análise.

O trabalho foi bancado por um programa que o governo dos Estados Unidos criou para estudar o poder preditivo de muitos tipos diferentes de dados. Preis disse que seu grupo estava em discussão com diversas companhias de investimento quanto ao possível uso prático de suas pesquisas.

RUÍDOS

A presença de volume considerável de “ruído” nos dados de busca torna difícil isolar termos individuais que possam oferecer valor preditivo.

Por exemplo, o volume de buscas por “cor” e “restaurante” parece oferecer correlação melhor quanto aos movimentos futuros das ações do que o volume de buscas por termos especificamente financeiros como “Dow Jones” e “mercados”.

No entanto, os pesquisadores revelaram ter conduzido ajustes na sua amostragem avaliando a frequência diária de um dado conjunto de termos financeiros nas páginas do jornal “Financial Times”.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje