BATE PRONTO 129

Após longo período, a coluna volta às páginas do Alagoinhas Hoje com notícias sobre a política do município e informações dos bastidores, nestes dias de muita movimentação, expectativa e curiosidade sobre o que vai acontecer. Além das polêmicas políticas, a cidade está assistindo a uma disputa legal com reflexos diretos no meio ambiente (ver últimas notas da coluna). 

Governo I

O governo demista enfrenta uma saraivada de críticas, mas como profissional de saúde, que deve ser frio em momentos de dificuldades, o médico Joaquim Neto mantém calma aparente e acredita na virada do jogo. São estas as melhores estratégias para enfrentar a crise?

Governo II

Dois secretários municipais – Daniel Grave, gestor da Fazenda, e Tácio Lobo, do Planejamento – estão conseguindo agradar pela disposição para o trabalho. Com semblante quase sempre sério, Grave é de pouca conversa. Felizmente para ele (e a cidade), ensimesmado não é sinônimo de incompetente.

Governo III

A atuação do secretário de Saúde, Rodrigo Matos, é bastante criticada nas redes sociais e mesmo por aliados do prefeito. Saúde pública é um grande desafio no Brasil e os gestores da área sempre estarão na berlinda. Matos e sua equipe, contudo, atraem antipatias de gente poderosa do demismo municipal. Seu nome poderá entrar numa possível (e suposta) reforma do secretariado.

Governo IV

A reforma do secretariado do prefeito Joaquim Neto não é mais uma opção administrativa/política e sim necessidade para dar ritmo ao governo. Em uma guerra, soldados ficam pelo caminho. Mas o general tem que continuar de pé. A contínua perda de batalhas poderá resultar em derrotas previsíveis e acachapantes.

Governo V

Em mundo super, hiper e ultra conectado a comunicação ganhou relevância inquestionável. As redes sociais estão aí para comprovar esta verdade. Gestores públicos precisam ligar suas antenas, dançando conforme a música das demandas pela profissionalização da comunicação. Em comunicação, equipamentos são importantes, mas equipe qualificada faz toda a diferença.

Governo VI

A despeito de ter feito bom trabalho em Lauro de Freitas, o secretário de Infraestrutura, André Luís de Carvalho, é uma unanimidade. Neste caso, ruim, contrariando frase do grande Nelson Rodrigues (Toda unanimidade é burra). A junção do gestor da pasta com os funcionários da SECIN ainda não deu liga, parecendo mais o asfalto do final de mandato de Paulo Cezar.

Governo VII

Com tantas demandas reprimidas e pelos resultados pífios da longa gestão sonista, a Secretaria de Infraestrutura e Planejamento Urbano sempre estará no foco da comunidade e da imprensa. As dificuldades são grandes, mas a capacidade de reagir tem que ser maior. Senão, é melhor pegar o boné e ir embora.

Governo VIII

Sugestão ao governo: definir dez prioridades em cada secretaria e arregaçar as mangas, atuando para cumprir as mais importantes e aprazar a realização das outras. A administração joaquinista precisa ocupar o vácuo deixado nestes quase seis meses em várias áreas. Está no ar a sensação da ausência de governo.

Governo IX

A formação de um conselho político, de caráter consultivo, para os grandes temas, poderia ser um bom caminho para o governo joaquinista, que assim dividiria com segmentos da sociedade a responsabilidade que lhe foi atribuída por intermédio das urnas.

Governo X

É preciso que o governo estabeleça, via portaria, o horário de ingresso nas secretarias. Mas não para os funcionários, que geralmente cumprem seus horários. Alguns secretários mais dorminhocos estão chegando tarde demais em seus respectivos postos. Quando um governo enfrenta tantas contestações em tão pouco tempo só há um caminho: trabalhar em dobro, com estratégia e correto planejamento de gestão. Além de inteligência. E isso exige tempo.

Governo XI

Se nada está perdido, os próximos capítulos terão que apresentar enredo mais emocionante, cenários aconchegantes e atores que exerçam seus papéis de verdade, atuando com vigor, técnica e capacidade de convencimento de suas qualidades para encarnar os personagens. Ninguém quer um governo parecido com o novelesco dramalhão mexicano dos anos 60.

Governo XII

A base de apoio parlamentar do governo joaquinista não tem unidade, está esgarçada e, às vezes, atua, nos bastidores, com mais vigor do que os poucos oposicionistas existentes na Câmara de Vereadores de Alagoinhas. A lua de mel acabou cedo demais e se não houver uma “DR” a coisa vai ficar feia na hora da onça beber água, ou seja, quando o governo precisar de votos para aprovar projetos importantes. As reclamações são grandes, mas falta interlocutor com autonomia para entabular as conversas.

Governo XIII

Se confirmada, a decisão do governo de não acatar recomendação do Ministério Público no sentido de paralisar as obras do condomínio Reserva do Bosque Residence poderá ter graves consequências. O MP aceitará ser confrontado?

Governo XIV

Adversário falar mal do governo é algo plenamente compreensível. Mas quando aliados usam a mesma ladainha, até com veemência, a luz amarela está acesa. Perigo à vista.

Governo XV

Jogador da Juventus de Turim, Sami Khedira sempre foi atacante, com boa qualidade e nome no meio futebolístico. O técnico da equipe resolveu recuá-lo e ele passou a jogar nas proximidades da zaga, obtendo elogios por sua capacidade de adaptação e pelas performances nas quatro linhas.  Mudanças fazem parte da vida, do futebol e da política. Nesta, se um “jogador” não tem boas atuações, existem as mesmas opções: mudá-lo de posição, dando-lhe um crédito de confiança quanto ao novo desafio, ou sacá-lo da equipe. Mas o técnico não pode vacilar e nem pensar nas contrariedades dos jogadores: é preciso focar nos resultados e na tabela do campeonato.

IPTU

Informações repassadas ao Alagoinhas Hoje indicam que o aumento do IPTU atingiu índices alarmantes. Existiriam casos de até 200% de majoração.

PT

Além de cuidar de seu terceiro mandato, o vereador Luciano Sérgio tem nova missão: dirigir o PT de Alagoinhas e prepará-lo para o futuro, renovando os quadros partidários visando fortalecer a sigla para os embates que virão.

Federal

Para fugir da grande concorrência por uma cadeira na Assembleia Legislativa, o ex-vereador Radiovaldo Costa planeja candidatura à Câmara dos Deputados. Neste terreno, terá confronto direto com o deputado federal Paulo Azi.

Aterro

O que está acontecendo com o aterro sanitário de Alagoinhas? As notícias que chegam indicam que a coisa não está boa.

Bateu cabeça

Ontem (6), o ex-vereador Antônio Carlos Cabeça saiu cabisbaixo do Tribunal Regional Eleitoral, cuja sede fica no Centro Administrativo, em Salvador. Ele não conseguiu seu intento e o vereador Jorge da Farinha manteve o mandato. Para Cabeça entrar, Farinha teria que sair. Mas “farinha é osso duro de roer”.

Comunicado

O ex-prefeito Paulo Cezar, que ainda não acertou a tintura para seus cabelos brancos, que lhe davam um ar de elegância, recebeu comunicado brasiliense, não se sabe com qual tipo de conteúdo. O órgão federal também não foi identificado.

Sindicância

A comissão de sindicância que deveria ter apresentado à sociedade alagoinhense explicações sobre a visita do ex-prefeito Paulo Cezar ao Centro Administrativo Municipal (CAM), na (calada) da noite de 31 de março, parece que tomou Doril. Nenhuma palavra do governo sobre o trabalho da comissão, que, aparentemente, foi montada “para inglês ver”. Mas tem algum inglês morando em Alagoinhas? Se tiver, ele deverá ser o primeiro a saber de tudo. Ou de nada. A segunda opção é mais provável.

Reserva do Bosque I

As polêmicas do fim de semana estiveram voltadas para a repercussão de matérias do Alagoinhas Hoje sobre a obra do condomínio Reserva do Bosque Residence. No Facebook, as duas matérias alcançaram aproximadamente 13 mil visualizações. Os acessos por meio do WhatsApp, em função da força desta ferramenta de comunicação, certamente atingiram a casa dos milhares, muito provavelmente, bem acima dos números do Facebook.

Reserva do Bosque II

Ontem (6), a empresa proprietária do condomínio estava movimentando máquinas na mais absoluta normalidade, como se a licença ambiental, concedida no segundo mandato de Paulo Cezar, não estivesse sendo questionada, inclusive com recomendação do Ministério Público para que a Prefeitura de Alagoinhas embargue a obra.

Reserva do Bosque III

O imbróglio ocasionado pela obra tem um lado positivo: provou que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (SEDEA) carece de qualificação técnica para emitir pareceres ambientais. Então, restam duas alternativas: qualificar os funcionários ou retirar a expressão “meio ambiente” da denominação da secretaria. Este, talvez, seja o caminho mais simples. Melhor seria “reestadualizar” as licenças ambientais. Muita gente  ficaria de cara feia pela perda do grande poder que detém para conceder as licenças.

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje