A velha dicotomia PT x Paulo Cezar – Maurílio Fontes

A política de Alagoinhas viveu por quase duas décadas a dicotomia entre o PT e Paulo Cezar, cenário que de alguma forma beneficiou os dois polos, com grandes barreiras de entrada para novos nomes.

A eleição de Joaquim Neto rompeu o velho figurino, mas o tempo e os fatos estão a demonstrar que a vetusta dicotomia insiste em se manter, exalando inconfundível cheiro de mofo que contamina o ambiente político e não traz quase nada de novo. 

O PT tenta se modernizar, mas colocou o carro à frente do bois lançando a pré-candidatura do vereador Luciano Sérgio ao Paço Municipal sem auscultar os aliados de ontem, feridos pelo exclusivismo personificado na figura do deputado federal Joseildo Ramos, que “tratorou” adversários internos e apoiadores de outras legendas para que ele fosse eleitoralmente a única alternativa nos embates majoritários. 

Há um pé atrás quanto aos passos mais recentes do PT e muitos ainda não acreditam na pré-candidatura de Luciano Sérgio, político sério, ilibado e com trajetória legislativa brilhante.

Vale ressaltar que na história política brasileira o parlamento “forneceu” importantes quadros para o Executivo. 

O prefeito Joaquim Neto deveria ser pule de 10 na corrida sucessória, mas não se qualificou (ainda) como alternativa mais viável para vencer o pleito de outubro de 2020.

A percepção quanto à possível fragilidade do prefeito reforça o dicotomia entre o PT e o ex-prefeito Paulo Cezar, cuja bolha terá que ser rompida por nomes novos, a exemplo do vereador Roberto Torres e do professor Fabrício Faro, com discursos e ações capazes de convencer o eleitorado acerca de suas habilidades e competências para inovar se estiverem no comando da gestão pública alagoinhense. 

Naturalmente, o ator principal da peça eleitoral deveria ser o prefeito, mas vacilações desde o início da gestão podem comprometer o plano estratégico de permanecer por mais um quadriênio no comando da Prefeitura de Alagoinhas. Entretanto, nem tudo está perdido, mas o tempo trabalha contra o prefeito, tornado-se, se não houver ações capazes de catapultar a imagem do governo, o pior adversário na disputa eleitoral. 

Por seu turno, o ex-prefeito Paulo Cezar não vive seus melhores momentos, apesar da percepção, ainda não confirmada em pesquisa confiável, de que estaria na frente dos pré-candidatos ao Executivo. 

O tempo, também para o ex-prefeito, pode se tornar o grande inimigo, com fantasmas federais rondando suas pretensões de assumir pela terceira vez a Prefeitura de Alagoinhas. 

As peças começam a ser posicionadas no xadrez eleitoral, mas é bom lembrar que o tempo “escorre pelas mãos”.

Até aqui o amadorismo tem sido a principal característica de todos os pré-candidatos.

A cidade quer mais de todos eles.

A cidade merece muito mais. 

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje