A Casa Civil e a linha de continuidade – Bruno Lima Rocha

A indicação do ministro da Educação, o economista Aloizio Mercadante, para a Casa Civil, assegura ao governo Dilma uma linha de continuidade com Luiz Inácio e os múltiplos significados do lulismo. Considerando que há pouco em jogo em termos de conflito programático, as opções para o cargo de “quase Primeiro Ministro” são calculadas em base a lealdade ao fundador do projeto e as possibilidades de prosseguir no poder em 2018.

Desta vez a transição foi tranquila, ao contrário de quando a mandatária assumira a função em 2005. Rememorando a última década, a atual presidente era ministra de Minas e Energia quando o impagável Roberto Jefferson sacudiu a nação com o slogan “sai daí Zé”. José Dirceu deixou “seu governo”, abrindo passagem para duas estrelas ascendentes. Uma, de perfil baixo e lealdade canina, a economista Dilma Rousseff, ocupando a vaga deixada por outro ex-guerrilheiro conforme Dirceu marcara no discurso de transferência.

A outra estrela passa de segundo posto para primeiro. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci toma posição de destaque até escorregar por duas vezes. Na primeira, no episódio do Caseirogate e a Mansão do Lago Sul, em março de 2006. Retorna em berço esplêndido após coordenar a campanha de Dilma e dura pouco no cargo de Chefe da Casa Civil, abdicando em junho de 2011, em virtude da divulgação do “milagre financeiro” que obtivera através de sua consultoria.

Uma das características do governo de coalizão é assegurar a marca do lulismo através de projetos vinculados diretamente ao gabinete da presidência. Assim foi com o PAC, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e outras políticas públicas de distribuição de renda. A Presidência divide o palanque com o ministério e seu titular, mas garante a marca da realização. O volume de ações transforma-se em capital eleitoral e projeção de imagem positiva.

Depois de passar pela Ciência e Tecnologia e a pasta da Educação, agora é o momento do exercício direto do poder e, lado ao lado nos palanques, acumular para 2018; seja para o Planalto – caso Luiz Inácio não tente voltar – ou rumo ao Palácio dos Bandeirantes.

O ex-senador por São Paulo é um dos raros “soldados do partido” que restara, e já demonstrou ser capaz de abandonar projetos pessoais em função do vínculo com o ex-dirigente sindical do ABC. Apostando na reeleição e caso não ocorra nenhum terremoto como os narrados acima, Mercadante assegura a linha de continuidade do PT paulista no cargo e garante a presença de Lula na ante-sala do poder.

 

Bruno Lima Rocha é cientista político e professor de relações internacionais.
(www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com)

Fonte: Blog do Noblat

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje