Waldir Pires defendeu a construção do terminal da Petrobras em Ilhéus e destacou atuação (do alagoinhense) Manoel Pinto de Aguiar, diretor da Petrobras – Maurílio Lopes Fontes
O deputado Waldir Pires defendeu, em discurso na Câmara dos Deputados, a construção de um terminal marítimo da Petrobras em Ilhéus.
O pronunciamento, publicado no Diário do Congresso Nacional (29 de junho de 1961), apoiava-se em um documento apresentado pelo diretor financeiro da empresa Manoel Pinto de Aguiar (foto) e transformava a discussão sobre uma obra em debate sobre planejamento, abastecimento e desenvolvimento da Bahia.

A proposta não surgiu naquele momento. Waldir leu uma comunicação de Manoel Pinto de Aguiar, datada de 6 de maio de 1961, que lembrava estar prevista, no Plano Quinquenal de Atividades da Petrobras para 1957–1961, a construção de um terminal marítimo em Ilhéus.
O documento sustentava que o projeto precisava avançar e examinava sua importância para a economia baiana.
A escolha de Ilhéus era apresentada a partir das características da região e de suas necessidades.
A área cacaueira tinha peso na economia do estado, mas dependia de condições de transporte e abastecimento que limitavam seu desenvolvimento.
O terminal permitiria organizar a chegada e a distribuição de combustíveis, com efeitos para atividades produtivas que iam além da cidade.
Na argumentação reproduzida por Waldir, a infraestrutura petrolífera integrava uma visão mais ampla da economia regional. O discurso também expõe a dimensão prática do problema.
O documento de Manoel Pinto de Aguiar considera diferentes formas de executar o projeto: diretamente pela Petrobras, por meio de uma subsidiária, em associação com uma empresa de economia mista ou com financiamento para a construção.
Em qualquer hipótese, defendia a participação técnica da Petrobras e a articulação do terminal com o plano nacional de distribuição de combustíveis.
Essa passagem dá ao pronunciamento uma dimensão política precisa. Waldir cobrava que uma previsão inscrita no planejamento da empresa se convertesse em decisão e obra.
Ao levar o documento à tribuna, tornava público o argumento favorável ao terminal, registrava as alternativas de execução e vinculava o projeto às responsabilidades da Petrobras no transporte e na distribuição de combustíveis no país.
O relatório de atividades da companhia referente a 1961 também relaciona o Terminal de Ilhéus entre seus projetos.
Ao final, Waldir faz questão de reconhecer a contribuição de Manoel Pinto de Aguiar. Atribui ao diretor papel central no trabalho que conduziu à construção do terminal e o chama de “pedra angular” dessa iniciativa.
O elogio não é um detalhe protocolar: identifica publicamente quem, na direção da Petrobras, sustentava o projeto e ajudava a encaminhá-lo.
A lembrança tem significado especial para Alagoinhas. Manoel Pinto de Aguiar era alagoinhense e havia sido deputado estadual na Bahia em 1935. Em 1961, ocupava a direção da Petrobras – cargo que exerceu entre 1960 e 1963.
O discurso de Waldir aproxima, assim, três dimensões de sua trajetória: a origem no interior baiano, a experiência parlamentar no estado e a atuação numa empresa estratégica para o desenvolvimento nacional.
O pronunciamento merece atenção porque reúne defesa de política pública, cobrança de planejamento e reconhecimento de uma liderança baiana.
Waldir Pires apresenta a construção do terminal como questão de interesse econômico para a região e, ao mesmo tempo, inscreve no registro parlamentar a atuação de Manoel Pinto de Aguiar.
A página do Diário do Congresso Nacional preserva, portanto, tanto a defesa de uma obra para Ilhéus quanto a memória de um alagoinhense que trabalhou para torná-la possível.

Foto Manoel Pinto de Aguiar: Biblioteca Virtual Consuelo Pondé
Maurílio Lopes Fontes é licenciado em História, bacharel em Marketing, mestre em Marketing, Comunicação e Consultoria Política (Espanha), diplomado em Gestão de Governo e Liderança Política (George Washington University), especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública (UCSAL), especialista em Estratégia e Liderança Política (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), especialista em Assessoria Política e Governo (UCSAL)

