Varejo da Bahia perde R$ 290 mi com feriados

Se não bastasse a severa recessão econômica do país, o varejo baiano tem mais um motivo para perder o sono em 2017: os feriados prolongados. Um estudo elaborado pelo economista Fábio Pina, consultor da Federação do Comércio do Estado da Bahia (Fecomércio), mostra que o setor vai deixar de ganhar este ano R$ 290,262 milhões devido aos feriados nacionais e feriadões.

Somente as redes de supermercados devem perder R$ 158,6 milhões. As lojas de vestuário, tecidos e calçados mais R$ 46,37 milhões e o segmento de farmácias e perfumarias outros R$ 36,99 milhões. “Feriado custa caro. Qualquer perda para o varejo neste momento de crise é relevante, sensível”, afirmou Pina.

O economista disse que o varejo baiano encerrou o ano passado com uma queda entre 10% e 12% – maior que a média brasileira (entre 8% e 10%). Em dois anos, a retração nas vendas no estado passa de 20%.

Questionado sobre a retomada da atividade já a partir deste ano, ele foi cauteloso: “A recuperação talvez comece esse ano, mas o setor só vai voltar aos melhores patamares de consumo e faturamento, aos níveis de 2013, lá para 2020 ou 2021. Isso sim é uma década perdida”, afirmou o economista.

Fábio Pina ressaltou, no entanto, a melhoria de alguns indicadores da economia nos últimos meses, como a queda da inflação, a diminuição dos juros básicos (a taxa Selic) e o superávit da balança comercial no ano passado (US$ 47,7 bilhões). Destacou ainda a redução do número de famílias endividadas no estado, cujo percentual passou de 62%, em janeiro do ano passado, para o atuais 55,6%.

“As famílias fizeram seus ajustes. Quem pôde não fez novas dívidas. No entanto, é bom ressaltar, o número de pessoas que estão endividadas e não estão em condições de pagar subiu no estado”, assinalou o economista, durante encontro com jornalistas na tarde desta quinta, na Federação do Comércio.

Risco diminuiu

Presente ao evento, o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlo Thadeu de Freitas Gomes, disse que as perspectivas para a economia brasileira melhoraram com a mudança de governo e que as medidas adotadas pela equipe econômica vão na direção certa. “A aprovação da PEC dos gastos públicos e a reforma da Previdência proposta pelo governo reduziram a percepção de risco Brasil”, diz o economista, que elogiou ainda a medida que permite a cobrança de preços diferentes, conforme o meio de pagamento.

Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu cobrou, no entanto, medidas para diminuir o nível de endividamento. “O BC poderia, por exemplo, reduzir o compulsório do bancos. Isso permitiria que indivíduos e empresas endividadas renegociassem suas dívidas em condições mais favoráveis de juros e prazos”, sugeriu.

Já o presidente da Fecomércio, Carlos Andrade, espera que 2017 seja o ano da virada. Ele diz que os empresários do comércio desejam voltar a quanto antes a investir e gerar empregos. “Acreditamos que as reformas previdenciária, trabalhista, tributária e política se conduzidas pelo governo federal vão ajudar a tira o país do atoleiro“, assinalou.

 

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje