Senadores baianos já avaliam relação com o novo governo

otto-lidice-pinheiro

Os três senadores baianos – Lídice da Mata (PSB),  Otto Alencar (PSD)  e Walter Pinheiro (sem partido) -, que votaram contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff, já estão avaliando como será a relação com o governo de Michel Temer, após a decisão tomada, na madrugada desta quinta-feira, 12, pelo maioria do Senado Federal.

Otto, que ficou na Casa Legislativa até as 9 horas, disse, no início da noite desta quinta, que ainda não havia conversado com o fundador do seu partido e novo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab.

Com o afastamento de Dilma do poder, Otto deixa de ser governo e passa para oposição em Brasília, já que se manterá fiel à liderança do governador baiano Rui Costa, que é do PT. Otto afirmou, no entanto, que marcará uma conversa com Kassab, para avaliar como fica a relação dele com o partido.

Kassab liberou a bancada de senadores do PSD durante a votação do processo do impeachment de Dilma, o que, para Otto, ajudou a evitar uma desunião ou fragmentação dos pessedistas.

“Não dá para fazer futurologia, ainda mais que a Lava Jato está acontecendo e toda hora aparece um fato novo, um dragão para assombrar os políticos em Brasília”, disse o senador.. “Aqui em Brasília, quando uma ambulância passa com a sirene ligada, os políticos se assustam achando que é a Polícia Federal”, brincou.

Esquerdas

Defensora de novas eleições presidenciais, a senadora Lídice da Mata (PSB) afirmou que a oposição dos partidos de esquerda ao governo interino de Michel Temer seguirá dois balizadores: os interesses do Brasil e os princípios políticos e ideológicos. “A nossa postura vai ser a que sempre tivemos quando fomos oposição”.

Lídice avaliou, ainda, que a aprovação do impedimento da presidente afastada Dilma Rousseff demonstra o que chamou de “esgotamento do modelo de presidencialismo de coalizão”. “Tivemos quatro presidentes nesse tempo e dois sofreram impeachment, o que prova que precisamos rever tudo”, afirmou.

A senadora defendeu a união das esquerdas em uma agenda comum. “Têm que se reunir para criar uma agenda em cima da crítica às perdas e retrocessos nas pautas dos trabalhadores e dos direitos humanos”, disse, repetindo o discurso de que o novo governo atingirá esses grupos.

Já o senador Walter Pinheiro, que saiu do PT fazendo críticas contundentes à condução do governo Dilma, disse que o ideal seria a realização de novas eleições. “A admissibilidade vai premiar um ou outro. Sendo que os dois (Dilma e Temer) são responsáveis (pela crise)”, disse o senador, que é autor de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nestes termos.

Pinheiro, que se licencia do mandato para assumir, na próxima segunda-feira, a secretaria de Educação do governo da Bahia, entende que o momento político exige uma decisão que seja tomada pelo voto direto, com eleições para presidente e vice, junto com o pleito de outubro deste ano.

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje