Sanção dos EUA prejudicou operação para prender suspeito de ligação com o PCC, diz PF

A Polícia Federal antecipou a operação, que ocorreu nesta sexta-feira (3) e mirou suspeitos de ligação com tráfico internacional, após as sanções do governo dos Estados Unidos anunciadas na última quarta-feira (1º).

De acordo com a corporação, a ação para prender um empresário suspeito de ligação com o PCC (primeiro Comando da Capital) acabou sendo prejudicada pela decisão americana.

A antecipação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e pelo chefe da Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção), Dennis Cali, em café da manhã com jornalistas, em encontro realizado após da operação. Rodrigues reclamou da decisão dos EUA de designar o PCC e o Comando Vermelho de organizações terroristas.

Segundo a cúpula da PF, algumas confirmações a respeito da localização de investigados ainda estavam em curso quando os EUA anunciaram as sanções e, por isso, a ação teve que ser antecipada.

Andrei criticou, no evento, a classificação pelo governo americano das facções criminosas como grupo terrorista, e disse que o entendimento é um “erro grosseiro tecnicamente”.

“Não posso entrar em detalhes operacionais, em razão do sigilo da investigação, mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e a gente teria localizado essa pessoa, mas, infelizmente, não foi localizado, então houve um prejuízo à investigação”, afirmou Andrei, em café da manhã com jornalistas.

Também disse que não deve existir uma “glamourização das facções criminosas”, com atribuição de todas as ações a determinada facção. Na visão dele, essa é uma supervalorização das ações desses grupos.

Nesta sexta, a PF prendeu a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que trabalhava para o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, ambos alvos de sanções do governo americano.

A prisão se deu no âmbito de uma operação deflagrada contra suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Shimada também é alvo da operação, mas até aqui é considerado foragido.

O advogado que defende o empresário disse que deverá se pronunciar mais tarde. A reportagem tenta localizar a defesa de Stella.

Batizada de Operação Exchange, as diligências incluem o cumprimento de 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Todos foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo e miram endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e em Santana de Parnaíba.

A decisão que decretou as prisões e autorizou as buscas decretaram também o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o valor de R$ 10,4 bilhões.

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje

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