Proposta de ministro da Saúde é inadequada, diz analista

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As declarações do novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, sobre o tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual ele considera grande, e a necessidade de discutir o abordo com a igreja opõe a saúde e a política.

Pelo menos é esta a referência feita pela professora de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista do jornal O Globo, Ligia Bahia.

Na contramão das propostas do novo ministro, a especialista ressalta que enaltecer os planos de saúde, como fez o ministro, privilegia um sistema que deixa de fora os idosos, desempregados, estudantes e voltam-se apenas ao tratamento e não à prevenção.

“O ministro, infelizmente, apresenta uma proposta que não está vigente em nenhum país desenvolvido”, pontua, em entrevista ao Huffpost Brasil.

Ligia critica ainda o corte no Bolsa Família sugerido pelo ministro quando foi relator do orçamento. “Existem diversos trabalhos científicos que comprovaram correlação positiva entre o Bolsa Família e a redução da mortalidade em crianças. (…) Uma credencial essencial para ocupar a pasta da saúde deveria ser a compreensão sobre as inter-relações da saúde com as demais políticas sociais.”

A relação entre política e saúde fica ainda mais incompatível quando o tema envolve religião. Na avaliação da especialista, políticos evitam entrar em temas políticas ou envolvem a igreja como álibi para não perderem votos. “O debate no campo da religião é legítimo. O que é espantoso é que políticos de diversos matizes partidários se escondam atrás dele”, emenda.

“O aborto é um problema de saúde pública, uma autoridade da saúde não pode deixar de responder objetivamente, racionalmente ao fato de brasileiras morrerem por abortos inseguros. A posição religiosa é respeitável mas não é a única e nem a mais apropriada para a melhoria das condições de saúde.”

Fonte: Agência Brasil

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje